Modelo de desenvolvimento americano – Liberdade para fazer

Mestre em Administração Pública e membro da Associação Americana de Administradores Públicos, Felipe Figueira escreve à Revista Cidade.

Escrevo o texto  a seguir como uma fonte de reflexão ao modelo de desenvolvimento praticado atualmente em Cabo Frio-RJ. Fato é que há relação entre saúde, bem-estar, lazer e dinheiro público.

Nós, o povo, sempre pagamos a conta. Então, por que não rever nosso modelo de desenvolvimento?

O município passa por momentos difíceis e a demanda por serviços só aumenta. Caminhamos rumo a uma maravilhosa  oportunidade de crescimento. Eu acredito nisso! Precisamos dinamizar e dar liberdade para quem quer fazer acontecer, a iniciativa privada.

A solução é sistêmica e não objetiva.

Vemos os hospitais passando por uma fase delicada, sem uma solução nova para o já antigo problema das filas e falta de remédios. Precisamos de numa gestão séria, com coragem para apontar um novo rumo.

Quero avisar a todos, infelizmente, se continuarmos no mesmo caminho, iremos piorar.  Seguindo com foco na aquisição de remédios, exames caros e atendimento precário, estamos jogando dinheiro no ralo.

Entenda a dinâmica do dinheiro público como uma corrida de ratos. Ou você para de correr na mesma direção e sai dali, ou nunca vencerá — e ainda terminará esgotado.

Continuar injetando dinheiro nesse sistema que trata a doença não irá nos render resultados.  Precisamos buscar respostas no esporte, lazer e bem-estar.

É comprovado que estas práticas diminuem o stress e combatem a depressão e ansiedade. 

Falo com propriedade, pois tive depressão. E um dos seus antídotos é o convívio social e atividade física. Tenho percebido como nossa cidade anda sofrendo com a falta de opções de lazer. Por diversas vezes me vi limitado a praia, ou a uma praça sem brinquedos ou qualquer outro tipo de atração. Quais outras opções temos?

Vi aqui na Revista Cidade, a ótima sugestão sobre a criação de um parque na região das salinas.  Observei também que o vereador Rafael Peçanha abraçou, inteligentemente, a ideia. Isso me traz esperança!

A gestão atual diz que não tem o dinheiro para desapropriar a área para a implantação do parque, pois a mesma é particular.

Durante 7 anos morei em Nova York e tive a oportunidade de viajar bastante e conheci ótimos modelos de gestão daquele país fantástico. Lá, o Estado dá oportunidade para que as coisas aconteçam. Lá há pouca intervenção ou burocracia.

– Algumas rodovias tem nomes de empresas. Em contra partida, elas investem em projetos que beneficiam o povo.

– Há um arcabouço legal que garante facilidade para investir em inúmeros projetos de cunho social. Qualquer empresa pode apoiar projetos em troca de publicidade.

– Empresas participam da conservação de praças, doando produtos e fazendo eventos que beneficiem a população mais carente.

– A própria população ajuda na conservação das praças. Há campanhas de conscientização. O americano reconhece o trabalho voluntário como cidadania.

Entendeu por que lá tudo funciona?

Nosso modelo deve ser revisto, abrindo espaço para que empresas de grande porte possam financiar este parque nas salinas. A contra partida seria a publicidade e consequente ganho de clientes. Com isso, o poder público poderia finalmente alcançar seu objetivo, que é servir!

Deixo a reflexão, o que vale mais a pena?

A) Propor legislação para a flexibilização de direto de uso/nomeação de todas as praças públicas da cidade, o que acarretaria a construção/ reforma/manutenção — inclusive a construção do parque.

B) Permanecer com as praças largadas e sem opção de lazer.

De que vale a tradição se as praças estão acabadas?

Nem tudo está perdido. Na Praça da Bandeira, na Passagem, há um voluntário que todo dia varre a praça e a quadra.   Lindo exemplo de cidadania.

Sei que você já sabe a resposta. Sei que podemos ter mais voluntários e que temos escolha.

Eu gostaria que a Praça da Bandeira fosse remodelada pela Nike. Com a iniciativa privada a frente, as coisas  andariam. A praça ficaria lotada de crianças e teríamos muitas atividades ali, como eventos e campeonatos.

Existem inúmeras outras praças da cidade que poderiam receber essa ajuda. Vejo uma grande praça sendo construída no segundo distrito com esse tipo de parceria público privada (PPP).

Quem sabe algum vereador ajuda na formatação dessa lei?

Desta forma também garantiríamos a conservação. Pois haveria interesse. Praça bonita atrai pessoas e clientes, que vem a sua marca.

Lá fora tudo funciona pois o foco das empresas é o cliente. Este modelo funciona. Basta dar liberdade para fazer.

Esta flexibilização na lei aliviaria o orçamento da saúde, que já não suporta o aumento da demanda, traria opções de lazer para a população, promoveria o bem-estar.

Ainda, o parque poderia ser até da Coca-cola. O que não pode, é ficarmos injetando dinheiro público num sistema em colapso. É hora da coragem!

Todos sairiam ganhando. Com a palavra, os nobres edis.