A inovação e a liberdade

Quanto maior for o grau de liberdade econômica, mais forte será o adubo para germinar a inovação

Por Alexandre Assaf 

O ato de pensar sempre foi o diferencial dos seres humanos. Contudo, hodiernamente, parece ter se tornado algo obsoleto em nossa sociedade, onde se prestigia o chamado “politicamente correto”, campo fértil ao surgimento de consumidores de ideias, massas de manobras e suas milícias.

Historicamente, a liberdade individual sempre foi restringida e, muitas vezes, tolhida por um ideal coletivista em nosso país.

O fenômeno não é novidade. A nossa república sempre foi regida por um estatismo exacerbado, como fundamento de legitimação do poder, estabelecendo-se a ordem social mediante disciplina da sociedade e submissão dos indivíduos a determinados padrões sociais.

Mas e os criadores de conhecimento? Estão em extinção? São necessários?  Visionários como Steven Jobs, Bill Gates, entre outros, fazem falta aos negócios atuais? Há cenário econômico favorável a inovação tecnológica em nossos dias?

Na hipótese de ser negativa a resposta, as ideias podem ser consideradas finitas e pré-moldadas, resumindo-se as operações comerciais e prestações de serviços a uma linha de produção restrita e exercício de modo permissionário, respectivamente?

Como sair dessa prisão mental, onde as pessoas são apenas cultivadas e não desenvolvidas em toda a sua personalidade e racionalidade?

A história registra a existência de uma premissa básica pela qual favoreceu o surgimento de gerações de pensadores, personalidades e cientistas notáveis: questionar a autoridade, ou seja, pensar por si mesmo, mediante a busca da ciência e do conhecimento. A sabedoria está no meio.

O universo de cada pessoa se resume ao seu saber. O erro faz parte da ação humana. Se você não os comete ou mesmo, quando as evidências mostram o contrário, e você não aceita o erro, e não o corrige, não há a prática de ciência, e, sim, mera conduta impulsiva.

Não é científico o ato de se cogitar ou estabelecer um plano social onde todos devam servir a um sistema único de objetivos, sob pena de tirania.

O questionamento de como o mundo deveria ser ou o que deveria existir nele para que fosse um lugar melhor vem à tona constantemente destituído de qualquer atitude para materializar o “dever ser” almejado.

A originalidade tem como fonte o intelecto humano, cuja individualidade é de suma importância para o conhecimento geral e desenvolvimento/aprimoramento da ciência.

A padronização do ensino torna as crianças singelas consumidoras de ideias. Não há espaço para que cada uma delas se aprofunde em determinado estudo de sua preferência, vez que são agrupados somente conforme o critério etário.

As consequências são óbvias: inibição da criatividade, desprezo pelos estudos e analfabetismo funcional, pois os problemas da vida em sociedade não se resumem a uma simples resposta decorada e tecida na avaliação escolar.

Nas faculdades, a riqueza da diversidade de ideias e pensamentos é sufocada por uma unitária, de consenso acadêmico, resultando, na formação de mentes duplicadas, sem originalidade, como se fossem robôs.

Muitas vezes, não há ambiente favorável a inovação.

Veja-se o caso atual do visionário empreendedor Elon Musk e o ambiente econômico favorável inserido nos seus negócios.

Almejava a criação de um novo método de pagamento via internet, e ajudou a criar o PAYPAL.

Não satisfeito, pretendia um carro elétrico inovador e contribuiu para a fundação da TESLA MOTORS.

Delirando, talvez, sonhava ver as pessoas indo ao espaço, e, então contribuiu para o surgimento da SpaceX.

Elon não reclamou de como o mundo é. Optou por transformá-lo.

Em cenários econômicos adversos, a liberdade proporcionada pela internet, por exemplo, não combina com ditaduras. Tem-se notícia de que somente agora, com quase trinta anos de atraso, está sendo implementada a expansão da rede mundial nas residências particulares em uma famosa ilha do caribe.

É hora de darmos um basta ao comodismo representado pelo status quo educacional, profissional e seus condicionantes impostos pelas diversas classes profissionais e agentes públicos, que inibem a originalidade, inovação e a liberdade econômica.

A reflexão acerca do assunto mostra-se adequada e contemporânea para fins de propiciarmos um terreno fértil à formação crescente e contínua de profissionais com excelência científica, técnica, profissional e/ou acadêmica.

Quanto maior for o grau de liberdade econômica, mais forte será o adubo para germinar a inovação, imprescindível ao aperfeiçoamento da ciência e da vida econômica de cada um de nós.

Somos fontes de riqueza e protagonistas da nossa própria história.

Pensamento contrário poderá fazer com que a novela distópica de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo, de slogan “comunidade, identidade e estabilidade” se torne realidade, de modo que passemos a amar a própria escravidão ideológica imposta, guiados pela sinfonia tirana da própria destruição de nossas individualidades, frisa-se, fonte de todas as riquezas.

Sobre o autor: Advogado e Consultor. Pós-Graduado em Direito Societário pelo Instituto Insper (SP), com Especialização em Direito Processual Civil pela Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP (Lato Sensu). Atua nas áreas de Direito Empresarial, Societário, Direito Bancário e Recuperação Judicial. Colunista do portal Megajurídico