A Economia Fluminense: Análise da Conjuntura e Perspectivas

O livro traz uma breve discussão sobre a conjuntura nacional e verifica o comportamento da economia estadual, à luz das crises econômicas internacionais de 2008 e 2014

Autor: Alcimar Chagas

O aumento das receitas dos municípios do Norte Fluminense, em decorrência dos royalties do petróleo e dos impostos provenientes de grandes empreendimentos — como o Porto do Açu — não redundou em desenvolvimento econômico para a região. A análise é do economista Alcimar Chagas Ribeiro, economista e professor do Laboratório de Engenharia de Produção da UENF, que lança no dia 13/05/19, às 19h, na Academia Campista de Letras, o livro “A economia fluminense: análise da conjuntura e perspectivas”.

Segundo o professor, foram investidos R$ 15 bilhões no Porto do Açu ao longo dos últimos dez anos. “No entanto, o município de São João da Barra, onde ele está sediado, não se encontra melhor do que antes deste investimento. São João da Barra tem a metade do volume de crédito de São Francisco. E Bom Jesus tem três vezes o crédito de São João da Barra. Então não existe confiança no mercado”, afirma. “É preciso que o interior pense em alternativas produtivas de cunho endógeno para aproveitar melhor as externalidades geradas por esses grandes projetos. Houve uma interiorização dos investimentos, mas os benefícios não são tão visíveis assim”.

Um indicador que chama a atenção, na gestão fiscal, é a baixa capacidade de investimento dos municípios. As mesorregiões Norte Fluminense e Baixada Litorânea, por exemplo, que possuem o maior orçamento devido aos royalties do petróleo, apresentam taxas de investimento muito baixas: 1,73% e 1,82%, respectivamente. O Centro Fluminense é a região com melhor taxa: 5,13%, enquanto a região Metropolitana apresenta a taxa de 3,45%.

“O orçamento dos municípios está dividido em despesas de custeio e de investimentos. Estes são gastos com característica de longo prazo, como estradas, hospitais, educação, fomento à criação de negócios etc. Se o município gasta pouco em investimento, gasta muito em custeio”, explica Alcimar.

Outro indicador importante para medir o desenvolvimento dos municípios é o índice de liquidez bancária, que pode ser conceituado como a disposição dos bancos em liberar créditos. Alcimar observa que, quanto menor o índice, melhor a situação da economia local. “Se o banco tem disposição para isso é porque confia na economia”, explica. Nesse quesito, o Norte Fluminense está relativamente bem, apresentando o menor índice de liquidez. “Isso se explica pela presença da Bacia de Campos da Petrobras e do Porto do Açu”.

Em seu livro, Alcimar também analisa a oferta de empregos em cada mesorregião fluminense. Segundo o economista, o índice de emprego não necessariamente significa desenvolvimento. “São João da Barra, por exemplo, aumentou substancialmente o emprego, entretanto, não gera riqueza na cidade. Muitos dos que vieram para o Porto do Açu são de fora e enviam o salário para a família. Quem tem mais recursos vive em Campos”.

“Enfim, pode-se observar no desenvolvimento do estudo uma forte concentração populacional, da riqueza e emprego na mesorregião Metropolitana, em função do grande número de municípios que a compõem, enquanto a produção agropecuária se distribui pelo interior, especialmente, nas mesorregiões Norte, Noroeste, Centro e Sul Fluminense”.O Norte Fluminense possuía em 2017 aproximadamente 226 mil empregos, com predominância dos municípios de Campos (85 mil empregos) e Macaé (114 mil). No Noroeste, o destaque são os municípios de Itaperuna, Pádua e Bom Jesus (55 mil empregos); na Baixada Litorânea, Cabo Frio e Rio das Ostras (148 mil); no Centro Fluminense, Nova Friburgo e Três Rios (117 mil); no Sul Fluminense, Angra dos Reis, Volta Redonda e Resende (245 mil); e na região Metropolitana, Rio de Janeiro, Niterói e Caxias (3,3 milhões).

O livro traz uma breve discussão sobre a conjuntura nacional e verifica o comportamento da economia estadual, à luz das crises econômicas internacionais de 2008 e 2014. As discussões se aprofundam através das mesorregiões do estado, chegando aos principais municípios, com foco nos temas: estrutura populacional e a riqueza, agropecuária, valor adicionado fiscal, emprego formal, operações bancárias e execução orçamentária. O resultado mostra os pontos fortes e fracos do território estadual.

Título:    A Economia Fluminense: ANALISE DA CONJUNTURA E PERSPECTIVAS

Autor:    Alcimar Chagas

Editora: AUTOGRAFIA

Páginas:  260 páginas