Vaccari, o “Gordon Liddy” de Lula?

Liddy foi identificado como o líder do grupo de cinco indivíduos que invadiram o escritório do Partido Democrático, em 17/06/1972, no edifício Watergate, em Washington D.C. Presos naquele dia deram início ao escândalo que culminou com a renúncia de Richard Nixon em 09/08/1974. Liddy só foi preso três meses depois. Dos seis foi o único que se recusou a depor perante os comitês que analisaram os acontecimentos, chegando ao ponto de colocar uma mão sobre a chama de uma vela, e lá mantê-la, até que os interrogadores admitissem que ele não faria qualquer declaração sobre o que supostamente sabia. Foi condenado a 20 anos de prisão e cumpriu oito, sendo perdoado por Jimmy Carter em 30/09/1980, sem jamais revelar o que sabia sobre o escândalo.

Na fita que Nixon gravou em 23/06/1972, a chamada “Smoking Gun Tape”, a primeira pergunta que fez aos seus dois assessores mais próximos foi, “Isso foi coisa do Liddy?”.

Na fita gravada três dias antes (20/06) verificou-se que um trecho de 18,5 minutos havia sido apagado. A especulação que perdura é se teria sido o próprio Nixon que o fez e, ainda, que o trecho da conversa gravada teria sido entre Nixon e Liddy. Dai a razão para o silêncio de Liddy, que teria jurado jamais fazer qualquer declaração caso fosse preso. Declarou-se um “preso político”.

Há um extraordinário paralelo entre a postura assumida por Liddy e a de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, o único que continua a se recusar a prestar qualquer informação sobre os escândalos que ocorreram nos governos do PT. Vaccari já foi condenado a tempos de prisão que já ultrapassam 20 anos. Possivelmente será condenado a adicionais 20 anos de prisão em razão de ser réu em outros processos.

O que motiva Vaccari? O que o impede de se beneficiar de uma colaboração, particularmente para negar qualquer participação em eventos que justificaram as condenações a ele impostas? O que o impede de exercer seu direito de defesa?

O silêncio de Vaccari estaria prejudicando a posição de Lula tal como o obstinado silêncio de Liddy eventualmente promoveu mais interesse quanto à participação de Nixon, o que eventualmente ficou comprovada: durante dois anos Nixon escondeu a prova irrefutável de sua participação nos eventos que deslancharam o escândalo do Watergate.

Teria Vaccari algum documento que, definitivamente, comprovaria sua participação ou, pelo menos, seu conhecimento dos eventos nos escândalos do Mensalão, do Petrolão e das demais operações vinculadas à Operação Lava Jato?

Seria o objetivo de Vaccari o de ser lembrado como o homem que se destacou, comportando-se como quem tem o que seria uma incomparável lealdade canina vis-à-vis Lula?

Vaccari poderá terminar sua vida encarcerado. Seria o que quer?

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
14/10/2015

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