“Vá lá e minta”. E ela foi (Editado em 28/02)

Desceu do camburão esboçando um sorriso que dava à sua face a impressão de ser uma máscara de látex.

Um agente da PF disse-lhe alguma coisa, como que fosse uma confidência, e ele colocou as mãos para trás, criando a impressão de que estava algemado. (Essa, aliás, é a impressão que se tem daqueles que são encaminhados à sede da PF em Curitiba: caminham em fila com as mãos para trás, como se estivesse algemados. Com o passar do tempo, em qualquer lugar que um deles vá, assume aquela postura. É como se estivessem em período de treinamento para a situação em que futuramente estarão: presos em uma cela de onde só saem algemados).

O olhar de Joãosafadão não era dirigido a quem quer que fosse e parecia estar confortável e familiarizado com o ambiente à sua volta. Talvez a expressão, o sorrido e a postura seriam as mesmas caso estivesse comparecendo a um funeral. É a expressão de quem está absorto em si mesmo, que projeta naturalmente quando se encontra com alguém pela primeira vez, a intenção sendo a de projetar confiança e inspirar empatia. No todo, a mensagem que projeta é a de estar dizendo “Confie em mim”. Fosse ele um camelô seria capaz de procurar um lugar frequentado por muita gente e oferecer imitações de relógios Rolex garantindo terem vindo diretamente do fabricante. E, no rosto, o sorriso enigmático.

Observando a mesma cena no seu duplex em São Bernardo Lula, “O que de nada sabe sobre qualquer coisa, nem mesmo sobre si mesmo”, possivelmente teria perguntado, “Do que é que esse sujeito está rindo? ”.

Não demorou muito para que se soubesse. Segundo João Santana, confirmado por sua mulher Mônica Moura, a relação que tem com o PT é de amizade e que os aconselhamentos que deram nas campanhas de Lula e Dilma, esta por duas vezes, foram motivados por essa relação de amizade. “Vá lá e minta” é um conselho que teria dado de graça.

Ficou-se sabendo não terem a mínima ideia de quem depositou US$7,5 milhões numa conta que abriram na Suíça por volta de 1998/1999. Na verdade, não têm a mínima ideia de quem depositou outras vultuosas quantias na mesma conta desde que foi aberta, mas acreditam que devem ser valores devidos pelos trabalhos que executaram nas campanhas eleitorais de diversos candidatos à presidência da República em diversos países.

Por terem, voluntariamente, permitido acesso aos documentos relativos à conta, tomarão conhecimento de quem depositou e quem retirou dinheiro dela.

João e Mônica seriam pessoas fora do comum. Não sabem de nada, não ouviram nada, não conhecem ninguém, e teriam raiva de quem sabe alguma coisa do que fizeram ou deixaram de fazer. Como Lula.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
26/02/2016

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