IF/UFRJ contratou físico deportado. A ANDES o quer de volta (Ed. 25/07)

Sabiam quem é o cidadão. Tratou-se de iniciativa específica da direção do Instituto de Física, que compromete a universidade e seus alunos, impondo seu viés ideológico que insiste em defender.  

Adlène Hicheur arrumou suas coisas e foi levado para o aeroporto Tom Jobim, onde embarcou para a França, sumariamente deportado pelo Ministério da Justiça, em 15/07/16, por recomendação da PF que o vinha monitorando desde 2013.

Informada, a vice-reitora da UFRJ foi para o aeroporto para tentar impedir a medida e exigir explicações. A seguir a universidade divulgou uma nota onde manifesta “extrema preocupação com a ação, anunciada sem apresentação de justificativas claras e atenção a princípios democráticos básicos, como direito à defesa”. No sábado, 16/07, O sindicato nacional dos professores, ANDES, também divulgou uma nota repudiando a deportação e anunciando que “através de medidas jurídicas e políticas, seguirá empenhando ações para garantir o retorno ao Brasil do professor Adlène Hicheur em segurança. Não podemos naturalizar esta violência e declaramos todo nosso apoio ao professor! ”.

O físico nuclear francês, de origem argelina, trabalhava como professor visitante no Instituto de Física desde 2013. Foi convidado pelo Instituto de Física e iria ter seu contrato renovado.

Em artigo publicado em 08/01/2016, a revista Época revelou que o físico veio para o Brasil com bolsa do governo federal e estava sendo investigado pela PF. É válido supor, portanto, que a UFRJ e a ANDES já tinham pleno conhecimento de que havia algo errado com a sua presença no Brasil e tiveram tempo suficiente para assumirem as posições que só agora estão anunciando.

Numa carta endereçada aos seus colegas o físico informou que havia sido injustamente preso e condenado, omitindo que a pena foi de cinco anos de prisão por terrorismo pela justiça francesa, em 2009. Após cumprir três anos conseguiu liberdade condicional, descumpriu-a e veio para o Brasil.

A história do físico é complicada. A PF sabia que em junho de 2009 recebeu uma proposta, em francês: “Caro irmão, vamos ser diretos: você está disposto a trabalhar dentro de uma unidade em ativação na França? Quais ajudas seriam possíveis oferecer? Quais suas sugestões?”. Ele respondeu que sim e disse que queria morar na Argélia, mas poderia mudar seus planos e ir para a Europa se a estratégia for “trabalhar dentro da casa do inimigo e esvaziar o sangue das suas forças”. O integrante da Al Qaeda comemorou: “Por Deus, você me agradou muito”.

Libertado em 2012 o físico não foi para a Argélia nem ficou na Europa: em 2013 estava no Brasil, confortavelmente instalado no Instituto de Física da UFRJ. Diz a nota da universidade que “o professor desenvolveu na UFRJ novas linhas de pesquisa, assim como deu continuidade a trabalhos já em andamento quando da sua contratação. Dentre os trabalhos científicos realizados podem ser destacados artigos e descobertas importantes para a Física de Partículas”.

Nesse caso devemos entender que, possivelmente, os tais trabalhos em andamento foram preparados enquanto preso. Mas, o que a PF encontrou em sua casa foram documentos sobre fuzis de precisão e detalhes militares.

Adlène Hicheur tinha uma vida dupla: brilhante físico nuclear, para a UFRJ e para a ANDES, terrorista ativo, para a justiça francesa que o manteve sob vigilância, o localizou no Brasil e comunicou o fato à PF.

A ANDES se comprometeu a se empenhar para trazer o terrorista de volta para o Brasil, acreditando que tudo que ele quer é se dedicar ao desenvolvimento da física nuclear.

Resta esperar a reação do Ministério da Justiça quanto a isso, mas muito provavelmente o empenho não irá prosperar, levando em conta a declaração do ministro em 22/07: “O que faço questão de salientar é que com as duas operações – a deportação sumária do professor francês e, hoje, a prisão desse grupo, que passou de simples simpatizante do Estado Islâmico para atos preparatórios – afastamos os dois únicos focos de possibilidade, ainda que remota, de terrorismo na Olimpíada.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
23/07/2016

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