“Turismo é uma questão de planejamento, investimento e hospitalidade”

“Turismo é uma questão de planejamento, investimento e hospitalidade
“Turismo é uma questão de planejamento, investimento e hospitalidade

“Turismo é uma questão de planejamento, investimento e hospitalidadeIsac Tillinger, ex-secretário de Turismo de Búzios foi um dos responsáveis pela promoção do balneário (PapiPress)

Isac Tillinger, ex-secretário de Turismo de Búzios, fala do fenômeno Búzios e sugere que a iniciativa privada de Cabo Frio, com o apoio da prefeitura, lidere a implementação um Plano Estratégico de Turismo para que a cidade possa desenvolver seu potencial turístico.

Qual foi o caminho/estratégia usado por Búzios para sair de simples aldeia de pescadores e se transformar no segundo parque hoteleiro do Estado do Rio de Janeiro e um dos destinos mais procurados por estrangeiros no Brasil?

Vários fatores contribuíram para o sucesso de Búzios como destino turístico. A ordem que passo a citá-los não representam seu grau de importância, a saber: reconhecimento do poder publico da importância do turismo como única atividade econômica da cidade (a pesca representa muito pouco e a construção civil está intimamente ligada ao turismo), uma classe empresarial forte, oferta consistente de meios de hospedagens e serviços turísticos e uma estratégia de marketing focada no turismo internacional e nacional de alto nível.

Até onde o poder público (prefeitos e vereadores) ajudaram ou atrapalharam essa caminhada?

De um modo geral o poder publico não ajuda muito no desenvolvimento turístico das cidades. Salvo algumas exceções. Os vereadores que deveriam ser o elo de ligação entre o publico e o privado: pouco fazem. Esta historia de que turismo não dá voto é um grande equivoco que precisa ser desmistificado.

Acha que o fenômeno BB foi determinante para que Búzios seguisse esse caminho? Sem ela seria diferente ? O que diferencia Búzios das demais cidades da região?

Seguramente Brigitte foi quem deu visibilidade a Búzios. Sem ela seria diferente, o que não quer dizer que necessariamente a cidade não atingiria este grau de visibilidade. A diferença entre as outras cidades da região foi basicamente os investimentos feitos pela iniciativa privada em hotelaria, gastronomia e serviços turísticos. Sem esta infra estrutura seriamos no máximo um balneário chic, mas não um destino turístico.

Em sua opinião, como a cidade de Cabo Frio tem se comportando quanto ao negócio do Turismo? Seria outra a vocação de Cabo Frio?

Cabo Frio não tem explorado o seu potencial turístico. Além de beleza natural, a cidade tem um grande potencial no segmento turismo cultural. Há um ano atrás participei de um estudo sobre destinos turísticos no Brasil, e Cabo Frio foi a cidade considerada com um dos maiores potenciais de crescimento no país. Cabo Frio poderia ser a Porto Seguro do Sudeste (com um pouco mais de refinamento, obviamente). O turismo é uma de suas vocações , não a única, talvez por esta razão o poder publico não deu à atenção necessária a este segmento da economia que tem grande capacidade de absolver mão de obra.

Do seu ponto de vista quais as virtudes e defeitos de Cabo Frio para o Turismo?

Como virtudes, vejo: a beleza natural, uma historia que deve ser mais explorada e uma infra estrutura de cidade de médio porte. Como defeitos, aponto: a falta de unidades hoteleiras de qualidade, pouco entrosamento entre população e turistas, e falta de dialogo entre poder público municipal e iniciativa privada.

Pode-se dizer que Turismo é uma questão de mentalidade? Seria possível implantar uma mentalidade voltada para o negócio do Turismo em Cabo Frio? Por onde começar?

Turismo é uma questão de planejamento, investimento e hospitalidade ( envolvimento da população na recepção ao turista). O melhor ponto de partida é a formatação de um Plano Estratégico de Desenvolvimento Turístico, liderado pela iniciativa privada com a participação da prefeitura. È claro que este plano depois de aprovado seja executado mediante o acompanhamento de uma diretoria executiva. Talvez até criar uma OCIP para esta finalidade. Seria uma forma de garantir que as ações propostas não sejam interrompidas cada vez que houver uma troca de administração municipal. Um plano para os próximos 10 anos, com ações de curto, médio e longo prazo, com avaliações anuais.

Niete Martinez

{slider Leia Também}

Búzios ensina o be-a-bá do turismo

{/sliders}

{loadposition facebook}

 

COMPARTILHAR