Só mesmo no Brasil

Como é que pode? O futuro da presidenta da República está nas mãos de um deputado federal acusado de ter extorquido um empresário e escondido o dinheiro em contas bancárias na Suíça. Isso faria sentido se em lugar do deputado se tivesse um bandido que chegou a uma posição de destaque numa gangue de assaltantes, cabendo a ele decidir o futuro do chefe da gangue.

 E se acontecer uma dessas coisas que uns chamam de coincidência, outros de que nada é por acaso? O STF decide aceitar a denúncia do PGR, torna Eduardo Cunha em réu e num julgamento no estilo do juiz Sérgio Moro o condena. Enquanto isso acontece Eduardo Cunha aceita abrir o processo de impeachment da presidenta e comandando a Câmara no debate, um delegado da PF interrompe a sessão e o leva Cunha, algemado, para a cadeia; Impossível? Não, não é. Cunha, pode-se prever, irá aproveitar a posição em que se encontra e criar o maior número de confusões para tumultuar o ambiente político. O sujeito nada tem a perder.

Essa situação surrealista foi criada por nós mesmos. O que deveria estar acontecendo é um movimento nacional exigindo o afastamento de Cunha.

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Imagine-se outra situação plausível. O TSE decide impugnar a chapa Dilma-Temer. Perdem seus cargos e assume como presidente da República ninguém menos do que Eduardo Cunha. Durante o período de três meses que devem decorrer para a eleição de novos presidente e vice, Eduardo Cunha é julgado e condenado pelo STF. Teremos a mais estranha situação na História do Brasil: um presidente da República sendo retirado do Palácio do Planalto, algemado e conduzido para uma cadeia. Talvez o acordem às 06:00 e o conduzam, algemado, na gaiola de uma viatura de PM. 

É improvável que Dona Dilma tenha resolvido cunhar o Pais como “Pátria Educadora” e, ao mesmo tempo, ter feito uma análise prospectiva com as informações de que dispunha para concluir que apenas um mês após sua posse o Brasil estaria envolvido na mais grave combinação de crise política e crise econômica. No entanto, esse desastre seria previsível. O ministro que escolheu para comandar a Secretaria de Assuntos Estratégicos foi o conhecido Mangabeira Unger, uma pessoa que até hoje não conseguiu decidir o que quer fazer na vida. Foi ele, numa infeliz escolha, quem sugeriu o slogan “Pátria Educadora” que sabia, com as informações que já dispunha, iria degringolar para “isso que está ai”, uma “Pátria Perdedora”.

Mangabeira Unger foi um dos escolhidos para abandonar o governo. Com isso podemos, agora, dizer haver luz no fim do túnel. Afinal, convidar Unger para participar de qualquer conversa sobre qualquer assunto é correr o risco de dar início a conversa de malucos.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
12/10/2015

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