Só a verdade libertará Lula (editado 09/02/2016)

Lula e Marisa desistiram da compra de um triplex reformado, decorado e mobiliado aos seus gostos sem gastarem um centavo e sem assinarem o contrato de compra. Bastaria um deles, por serem casados com comunhão de bens. A reforma, decoração e mobília foram pagos pelo proprietário, a OAS. Seria o primeiro e único caso em negócios imobiliários. Foi feito pela “causa”.

O ex-presidente se recusa a admitir que esse foi o caso do apartamento tríplex 614-A no edifício Solaris na praia do Guarujá, mesmo sabendo como se processou a desistência de outro imóvel no mesmo edifício. O apartamento 141 foi formalmente adquirido por Dona Marisa como consta de documento assinado em abril de 2005 com o então Bancoop. Essa aquisição foi reconhecida por Lula em suas declarações de IRPF. A desistência de comprar o apartamento está registrada em documento assinado por Dona Marisa em 26/11/2009 onde consta que se fosse de seu interesse aplicaria o valor já pago na compra de uma “unidade autônoma” no mesmo edifício, mas não especifica que unidade seria.

Lula se recusa a admitir que os dois casos não são idênticos. Para o caso do tríplex só há o documento onde Dona Marisa informa a desistência de compra-lo. Repetindo: Lula insiste com o argumento de que é possível desistir da compra de um imóvel sem que haja um documento onde conste a intenção de comprá-lo. Para Lula nunca houve uma relação entre ele e Dona Marisa com o tríplex no edifício Solaris. “Nunca fui dono do tríplex”, repete ele para quem quiser ouvir: é um óbvio ululante. O apartamento sempre esteve registrado em nome da OAS.

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A preocupação de Lula deveria ser outra. O mais fácil seria alegar que o presidente da OAS reservou, informalmente, o tríplex 164-A para os Lula da Silva deixando em branco, na planilha com a lista de apartamentos no edifício Solaris, o espaço onde é indicada a situação de cada imóvel: livre ou não disponível. Para o tríplex o espaço está em branco. A OAS, por sua conta e risco, iniciou a reforma no tríplex e os Lula da Silva, esporadicamente, visitaram o tríplex, fizeram sugestões ou sugeriram – o que se concretizou – a instalação de um elevador ligando o primeiro e o terceiro pisos.

É estranho que a OAS tenha investido alegados mais de R$700 mil sem terem os Lula da Silva investido um centavo na obra para, decorridos seis anos, desistido da compra do tríplex. Isso fizeram sem correrem o riso de serem processados pela OAS uma vez que não há documento onde se encontraria a declaração formal de que, eventualmente, comprariam o imóvel.

Só a verdade sobre o que aconteceu, entre outubro de 2009 e novembro de 2015, libertará Lula. Talvez essa verdade conste numa possível delação premiada de Leo Pinheiro, ex-presidente da OAS. Se Leo revelá-la Lula nada mais poderá fazer a não ser aguardar o que o destino já lhe reservou.

“Se alguma coisa pode dar arrado, dará”, diz a Lei de Murphy. Sendo humano à vida de Lula se aplica a lei, como a todos nós.  

Ernesto Lindgren

CIDADE ONLINE
07/02/2016

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