Seria recomendável fortalecer os tornozelos

Saíram as primeiras condenações da Operação Lava Jato. É um recado de que o que consta nas delações, em todo ou em parte, dos corruptores foi comprovado. Seria um sinal de que o caminho do dinheiro foi encontrado. Seria recomendável que os corrompidos, cujos nomes estão no STF, e outros que ainda não chegaram lá, fortaleçam os tornozelos.
Enquanto isso o deputado Eduardo Cunha teria iniciado o recesso atirando a esmo. Reagindo ao que seria um ato inócuo proposto pelo deputado Henrique Fontana, sugeriu que a presidenta também faça uma acareação com o doleiro Albert Youssef. De que maneira a CPI da Petrobrás justificaria isso? Já teria prometido introduzir no Congresso, após o recesso, medidas que iriam constranger o governo.
O senador Aécio Neves insiste em repetir que a eleição foi uma luta desigual. Lembra o lutador de boxe que alega ter perdido porque o adversário lhe deu um “golpe de sorte”. Do que não sabe estaria falando agora, do que sabe falaria depois.
Caso o TCU não aprove as contas do governo, as envie para o Congresso e este inicie um processo que levaria às perdas dos mandatos da presidenta e do vice, Eduardo Cunha assumiria e convocaria nova eleição. O que faria o deputado-presidente interino durante o processo, que poderia levar meses? O que o senador Aécio faria se fosse candidato e perdesse novamente?
À dupla adere o senador Renan Calheiros, mas de longe, apenas avisando que a política do governo não estaria funcionando. Seria outro caso de que deixará para falar mais tarde o que saberia agora.
O deputado Eduardo Cunha e os senadores Aécio Neves e Renan Calheiros não estariam se comportando como estadistas, cujas características deveriam ter. A consequência disso é que enquanto o Poder Executivo procura soluções os três estariam mais preocupados em não sugerir alguma.
Do que adianta anunciar, como fazem os senadores, que não há governo, que a Presidente não tem apoio popular? Estariam dizendo a verdade sobre o óbvio, mas se temos uma Presidenta eleita, se não há em curso alguma medida que alteraria essa realidade, suas manifestações estariam caindo no vazio. Portanto, em contrapartida, enquanto não há governo, os senadores não teriam propostas.
Levando em conta as que seriam as intenções do presidente da Câmara, os senadores Aécio Neves e Renan Calheiros estariam seguindo o conselho de Howard Hughes: “Se você tem um inimigo, crie-lhe um problema”. Hughes fez isso durante toda e vida e perdeu.
Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
20/07/2015

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