Será a Felicidade uma utopia?

Será a Felicidade uma utopia?
Será a Felicidade uma utopia?

Será a Felicidade uma utopia?	Muitas são as definições a respeito da “felicidade” já que esta é uma construção pessoal. Há quem a veja como uma ilusão ou algo de difícil alcance, mesmo assim, todos desejam alcançar o ápice da sensação de ser feliz, ainda que não saiba por onde começar. O poeta Mario Quintana descreve a ansiedade deste encontro em versos:

Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura,
Tendo-os na ponta do nariz!

O psicanalista Sigmund Freud disse ser a felicidade um problema individual para o qual, nenhum conselho é válido. Há quem sequer foque a felicidade como meta: “Jamais considerei o prazer e a felicidade como um fim em si e deixo este tipo de satisfação aos indivíduos reduzidos a instintos de grupo.” (Einstein); outros a sentem espontaneamente: “Os homens que procuram a felicidade são como os embriagados que não conseguem encontrar a própria casa, apesar de saberem que a têm” (Voltaire).

Apesar de estar ao alcance de todos, ser feliz depende da perspectiva de quem almeja. Carlos Drummond de Andrade aborda a interlocução entre o individuo e o ideal de felicidade, comentando que “há duas épocas na vida, infância e velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons”, sugerindo que estas são fases em que o pouco é mais do que o suficiente para preencher o vazio interior, quando em uma ainda não se sabe o que quer e na outra cansou-se de querer, portanto “quase sempre a maior ou menor felicidade depende do grau de decisão de ser feliz.” (Abraham Lincoln).

Induzidos e acostumados à cobiça desmedida, empreendemos tempo e energias para TER como meta de felicidade esquecendo que a posse não garante a ninguém SER algo; não transforma pessoas após a conquista do desejo, ao contrário, quase sempre o objetivo alcançado proporciona um bem estar menor do que o idealizado. Esta sensação de insatisfação/ frustração é um mecanismo para evadir-se da realidade insistindo na busca por algo fora quando a felicidade deveria ser cultivada no íntimo. Se o nosso mundo das ideias é negativo, a vida torna-se um espetáculo de angustias e dramas mesmo para quem tem muitos privilégios. Sem coragem para enfrentar a si mesmo e para o auto perdão, infelicita-se por desleixo posicionando-se na condição de vítima.

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Vinícius, autor espírita, escreve em Reflexão que a felicidade depende de três condições: a primeira é “saber sofrer”; a segunda “crer no fim do sofrimento” e a terceira “não reter o sofrimento depois que o motivo passou.” |Desejos contrariados, ausência de saúde, dificuldades materiais enfim, desilusões, erros e fracassos são fatos comuns na vida de todos com tempo certo para existir, cuja finalidade é aparar nossas arestas e facilitar nossa evolução moral e devem ser enfrentados com naturalidade e esperança na superação, mas principalmente postos de lado, quando chegar ao fim para que se possa prosseguir respirando os frutos da prova: a felicidade da superação.

“Alegrai-vos é chegado até vós o reino de Deus” (Jesus). Reino que está dentro de nós esperando ser descoberto e habitado. Interiorização, reflexão e renovação são as premissas para um auto encontro responsável.

Jesus sempre cultivou alegria embora desde o nascimento tenha tido uma vida cheia de tribulações, mesmo assim preservou suas emoções das contrariedades e cultivou a benção da saúde e da paz íntima apesar de todos os conflitos que vivenciou inclusive junto aos seus seguidores mais próximos. Enquanto nós fazemos de nossas emoções um depósito de entulhos, guardando e reconstruindo por pensamento e palavras os momentos indesejáveis, “Jesus não gravitava entorno de estímulos estressantes” (Augusto Cury) e desfrutava da alegria completa!

O Mestre da Vida ensinava como ser feliz aos que Dele se aproximava indicando o caminho da fidelidade à própria consciência (seja o vosso falar sim, sim; não, não); a se tornar aprendiz diante da vida se transformando com os erros e fracassos (Deus não lhe dá mais do que você pode carregar); a enfrentar os medos gerenciando o pensamento nos momentos de tensão (dai a César o que é de César) e ressarcir com amor libertando-se de compromissos negativos (Amai os vossos inimigos como a ti mesmo); a ser autor da própria existência reescrevendo sua história. “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo!”

Maryane Medeiros

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