Ser petista

Serounãoser entrou na sede do PT na sua cidade, aproximou-se do balcão de atendimento e perguntou: “Como é que me inscrevo para ser membro do partido? ”.

O atendente abriu uma gaveta, pegou um formulário e um exemplar do estatuto do partido. “Sente-se naquela mesa, leia o estatuto, preencha o formulário e volte aqui”, ordenou.

Serounãoser seguiu as instruções e alguns minutos depois, voltou. “Pronto”, disse.

O funcionário conferiu tudo e pediu: “identidade, CPF, certidão de nascimento, comprovante de residência, carteira de vacinas, dois retratos 3×4”. Pegou os documentos, levou-os a uma copiadora, juntou as cópias, abriu uma gaveta, pegou um envelope onde enfiou as cópias e as fotos, nele afixou um carimbo que dizia: “Candidato”. No envelope afixou sua rubrica, olhou para Serounãser e disse, “Volte daqui a 15 dias”, entregando-lhe um cartão onde havia anotado o número do processo que constava no carimbo.

“Mais alguma coisa? ”, perguntou o funcionário.

Serounãoser abaixou os olhos, olhou para um lado, para o outro e perguntou, “Em 2018, como membro do PT, posso me candidatar a quê? ”. Prendeu a respiração e olhou nos olhos do funcionário.

O funcionário afastou-se, colocou as mãos sobre o balcão, esticou os braços, olhou para o chão e disse, “Qualquer coisa, exceto presidente da República”.

Serounãoser chorou.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
21/09/2016

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