Senador Aécio Neves estaria falando demais

O País não precisa de uma crise institucional. Do que não sabe estaria o senador falando. O que idealizou para o Brasil prometeu fazer depois.
É dele a conclusão de que o PT interpreta como “golpe” o TCU ter rejeitado e solicitado informações sobre as contas do governo de 2014. É dele a conclusão de que o PT interpreta como “golpe” o TSE investigar a legalidade das doações para a campanha eleitoral. É dele a conclusão de que o PT interpreta como “golpe” o MPF e a PF investigarem a ocorrência de atos de corrupção.
Ele não saberia se as interpretações são verdadeiras.
O seu partido, o PSDB, também está sendo investigado pelo MPF e PF quanto à ocorrência de atos de corrupção, mas ninguém está afirmando que o PSDB interpreta isso como um “golpe” para acabar, fechar o partido.
Instalou-se um bate-boca. Senador Aécio Neves: o PT é golpista. Respondeu a presidenta Dilma, na Rússia, em 09/07: golpista é o PSDB.
Quem iniciou isso foi o senador no seu discurso de posse, reeleito presidente do PSDB. Levou o discurso para o Senado e em nota divulgada em 07/07.
É dele a voz que se ouve no seio da oposição ao governo, como se esse fosse o papel da oposição.
Fazer oposição significa divergir de políticas e estratégias, propondo alternativas, mas sempre com o propósito de contribuir para a busca de soluções de problemas conjunturais como é a atual crise econômica.
O senador não pareceria estar fazendo isso. Com seu discurso desvia a atenção do que, no momento, é mais importante do que as diferenças ideológicas.
Fazer oposição não requer criar embaraços para o governo. Fazer oposição não requer buscar motivos para criar o ambiente propício para que o Congresso inicie um processo de impedimento da presidenta da República.
O TCU ainda aguarda as respostas que solicitou ao governo quanto às suas contas e, portanto, seria temerário provocar uma discussão como se as respostas tivessem sido dadas e rejeitadas pelo TCU que, então, declararia, talvez, que a presidenta cometeu o crime de responsabilidade.
Ninguém o proíbe, ou é necessário esperar ser eleito presidente da República, de iniciar um esforço para colocar em prática os objetivos, que chamou de princípios, listados no seu discurso de posse como presidente do PSDB. Entre outros: tornar o Estado transparente, eficiente e mais próximo do cidadão; promover a responsabilidade no trato do dinheiro público; buscar o equilíbrio nas contas públicas; buscar fazer com que o Brasil volte a se abrir aos demais países; tornar o Brasil mais produtivo e competitivo; investir em pesquisa, tecnologia, inovação, educação básica, educação de ponta; promover maior qualificação profissional; etc.
O senador poderia se empenhar, particularmente por estar na oposição ao governo, em propor políticas e estratégias que levaria à discussão, declarando, “Aqui estão nossas propostas e gostaríamos de colocá-las em discussão”.
Não é isso o que o senador Aécio Neves estaria fazendo. Mas, deveria.
Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
09/07/2015

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