Sem truculências ou experimentos

1930-45, 1964-85, 2003-15 são períodos de governos dos quais não mais precisamos. O que precisamos saber é como recuperar os 12 milhões de empregos perdidos. Nos municípios da Região dos Lagos não adianta discutir se o PT ganhou ou perdeu. O que querem saber os comerciantes que fecharam suas lojas é como reabri-las, como recontratar seus funcionários, algumas delas tradicionais e operando há 20, 30 e até 40 anos ou mais.

Não precisamos da nociva prática de legislar em causa própria que, na verdade, implica em perdoar atos ilegais, imorais e aéticos como é uma proposta legislação que perdoaria o chamado caixa dois. Quem propõe ou defende isso merece um caixão político.

A União, os estados e os municípios estão falidos e temos diante de nós uma incomparável tarefa. Talvez nunca antes o dito “cada um por si e Deus por todos” se aplique tão adequadamente a uma conjuntura como a atual. É por isso que não há como perdoar ou ignorar os atos ilegais, imorais e aéticos que teriam sido praticados pelos que constam de uma lista de políticos que receberam propinas de empresas direta ou indiretamente identificados nas várias operações conduzidas pela PF. Além disso, como essa lista conteria algo da ordem de 300 nomes seria uma ótima idéia acabar com o tal foro privilegiado. Seria praticamente impossível ao STF julgar tanta gente antes que seus crimes prescrevam. Ladrão é ladrão e não há porque continuar aceitando um privilégio que encoraja a prática de crimes.

Deixar de extirpar essa gente do cenário político é incentivar que o tipo de comportamento que não aceitamos seja novamente praticado, protegido pela expectativa de que novamente será perdoado. Permitir ou ignorar que um erro seja, ou esteja sendo, cometido uma segunda vez é prova inquestionável de burrice.

Para a União, estados e municípios se recuperarem da atual crise é relativamente fácil: o Congresso está tratando de encontrar saídas, todas dependentes de nós. Mas, e quanto a nós? Como recuperar um emprego perdido?

Como adquirir coragem para reabrir uma empresa, um negócio que se foi obrigado a fechar por falta de clientes, custos, impostos? Como se ter segurança de que a história não se repetirá? Pior do que Lula ou Dilma foram os que deixaram se enganar ou até mesmo não perceberem que seria danoso ter permitido deixá-los colocar em execução um experimento sem que se cuidasse de prever suas conseqüências. Como diz o dito popular, “o mal só prevalece porque homens de bem permitem”.

Serão longos anos de incertezas e decepções. Parece termos perdido o controle de nossos destinos.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
01/11/2016

COMPARTILHAR