Renato Duque vai falar

deputado Eduardo Cunha teria que mudar a postura se Fernando Soares também ceder. Mas, isso seria coisa para o STF. Não saberemos, mas ele saberá.

Renato Duque ficou sem saída. Desde que foi anunciado, em 31/07, que decidira fazer um acordo de delação premiada, começaram a aparecer variados comentários sobre o que teria acontecido. Entre elas que seu advogado se opôs. Que petistas teriam entrado em pânico. Que talvez voltasse atrás. Nada disso importa.

A estratégia de usar a combinação “porrete e cenoura” funcionou. A expressão no seu rosto, que poderia ser de empáfia, arrogância, desafio, de estar enfezado, se sentindo entediado, deve desaparecer.

Ninguém sabe ninguém saberá o que se passou na carceragem em Curitiba. Poder-se-ia especular que, em cada nova etapa da Operação Lava Jato, cada personagem envolvido levou sustos, como todos nós. Novos nomes, novas denúncias, novas situações até bizarras. Poder-se-ia, também, especular que cada um só tem conhecimento do papel que desempenhou, com exceção de Alberto Youssef que teria uma percepção mais ampla.

Do Petrolão passou-se para a roubalheira de impostos do ICMS. Youssef forneceu uma lista de nomes. Dali para o caso da Eletronuclear envolvendo as obras da usina de Angra 3. Mesmas empreiteiras, mesmos nomes, novos nomes. E assim por diante.

O tamanho do porrete foi aumentando e Renato Duque, possivelmente, começou a fazer contas e a se perguntar: “Vale o sacrifício, vale arriscar um “tudo ou nada” e no final encarar 15, 20, 30 anos de cadeia em regime fechado?”. Lá, na carceragem, está Nestor Ceveró, encarando cinco anos, aos quais se deverão somar outros tantos, em regime fechado porque o Juiz Sérgio Moro decidiu não lhe conceder o semi-aberto por haver risco de fuga. Lá, na carceragem, viu Dalton Avancini e Eduardo Leite pegarem 15 anos de cadeia e serem mandados para casa usando tornozeleira. Nada mal. E há a considerar Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, já condenados, mas em casa, enfrentando a estafante tarefa de cumprir os percursos de-casa-para-o-tribunal, do-tribunal-para-casa, com tempo de pegar um sol, como foi o caso de Barusco. E ele, Duque, ainda lá, tomando banho frio, dormindo em colchão duro, comendo mal e fazendo o número 2 de cócoras. Pra quê? Pra quem? E deve ter visto a foto de José Dirceu numa casa de praia, “numa boa”. A “cenoura”, a delação premiada, tornou-se uma opção atraente.

O que farão Fernando Soares, João Vaccari, Marcelo Odebrecht, e outros, todos de “queixo duro”? Não importa. Problema deles, mas por quanto tempo irão resistir aceitar “cenouras” vendo o tamanho do “porrete” ficar cada vez maior e mais pesado? Depois que o Juiz Moro passar sentença talvez não se disponha a oferecer “cenouras”.

Sobre o que se pode especular é quanto ao que dirão personagens como o senador Renan Calheiros, e outros, do PMDB. E também, claro, um cidadão de nome Luiz Inácio da Silva, vulgo Lula.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
02/08/2015

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