R$150 bi em debêntures para emprestar às empreiteiras

O governo quer nosso sangue. Simplificando, debênture é um documento onde se lê “Devo, não nego, pago quando puder”, que receberemos de uma empreiteira se a ela emprestarmos dinheiro. Essa é a proposta cogitada pelo governo para que empreiteiras participem do leilão na construção de portos, aeroportos e rodovias. Metade das debêntures seria emitida pelo BNDES e a dívida faria parte de Dívida Pública. Portanto, seu resgate ocorreria depois da “Segunda Volta” de Pedro Álvares Cabral.

“Baratas tontas” seria a expressão apropriada para sintetizar o comportamento da cúpula do governo Dilma. A cada dia um novo plano, uma nova idéia, tudo direcionado para alcançar um objetivo: conseguir dinheiro para manter o governo funcionando.

A partir de setembro os bancos passarão a pagar 20% de imposto sobre o lucro líquido, 5% a mais do que pagam atualmente. Isso vai garantir R$5 bi para o governo, mas os bancos já estão se preparando para repassar a conta para os clientes: o aumento é considerado “custo”.

O Plano Safra já teria sido elaborado e seria apropriado chamá-lo de Plano Saf(r)a(do) uma vez que os juros que serão cobrados pelos financiamentos para a projetada safra de 135 milhões de toneladas de trigo, café, soja e tudo mais serão mais altos. É um Plano de Safados porque o que o governo quer é mais dinheiro e pouco importa que tudo ficará mais caro.

Resumo: vamos pagar, outra vez, pelo que já foi pago. Pagamos impostos para o governo construir rodovias, portos e aeroportos e seremos chamados de idiotas se concordarmos com a proposta.

É óbvio que nenhuma dessas manobras dará certo. Só um perfeito imbecil compraria uma debênture de uma empresa, já meio falida, para que possa participar de um leilão, provavelmente em consórcio com outras, para projetar, executar e operar rodovias, portos e aeroportos de tal forma que gerem lucro para que a debênture seja resgatada.

Alguém deveria inventar o “cretiniceômetro” para tentar avaliar o nível do que seriam cretinices sugeridas pelo governo Dilma.

 

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
02/06/2015

 

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