Quem acusa não pode ter umbigo

Mas teria: o juiz que mandou prender Paulo Bernardo é aluno da Janaína. Seria isso importante? Quem motivou a decisão? Houve influência de alguém? Ignorou-se a ética? Pronto. Tem umbigo.

O fato do juiz ser aluno da Dra. Janaína Paschoal, autora do pedido de impedimento da presidenta Dilma, basta para que os dois tomassem todos os cuidados. Como não tomaram, assim que a ordem de prisão foi dada, surgiram as dúvidas. Teria a doutora feito contato com o aluno para conseguir uma medida que constrangesse a Senadora Gleisi Hoffmann? Ou, teria o aluno imaginado em “fazer média” com a professora? Respostas negativas levam ao pedido: provem. Pronto: umbigo ou sinuca de bico.

Quem acusa e tem umbigo cria uma situação em que entra em outra quando se diz, “abriu a guarda”, “levou bola nas costas”, “levou uma caneta”, “engoliu um frango”, “chutou nas mãos do goleiro”, “chutou na trave”.

Havendo ou não suspeita de haver umbigo, o Ministro Dias Toffoli, do STF, revogou a prisão de Paulo Bernardo afirmando que a ordem de prisão “tinha motivos genéricos e que não havia requisitos legais para a detenção”. Aí está: bola nas costas e a advertência, “vão estudar”, para o juiz e o promotor.

Às 17:00 horas de 29/06 o juiz continuava a fingir que não entendeu, dizendo que aguarda o pronunciamento do promotor para expedir a ordem de soltura. Estão criando a situação de haver um duplo umbigo quando se pergunta, “quem é o pai da criança”?

O melhor seria mandar o Paulo para casa, passarem uma borracha na história, e tanto o juiz como o promotor se fingirem de mortos. E que não falem na Janaína.

Por outro lado, os defensores do Paulo exageraram: queriam que o caso fosse para o Supremo. Levaram um não do Toffoli. Claro. Na operação mais escabrosa, filhota da Lava Jato, que fiquem quietos e deixem a coisa rolar até cair no colo do Lula.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
29/06/2016

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