Quadrilha desviava recursos públicos em Arraial do Cabo

Quadrilha desviava recursos públicos em Arraial do Cabo
Quadrilha desviava recursos públicos em Arraial do Cabo

Quadrilha desviava recursos públicos em Arraial do CaboPolícia Federal faz operação na prefeitura de Arraial do Cabo (Foto O Globo – reprodução)

Promotor de Justiça Marcelo Arsênio e os delegados Wagner de Menezes e Fábio Andrade Promotor de Justiça Marcelo Arsênio e os delegados Wagner de Menezes e Fábio Andrade Material apreendido foi levado para a Superintendência da PF Material apreendido foi levado para a Superintendência da PF

O Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (GAECO) do MPRJ e a Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio (DELEPAT) da Polícia Federal deflagraram, na quinta-feira (03/12), a 2ª fase da Operação Dominação. Foram cumpridos 14 mandados de prisão preventiva contra denunciados pelos crimes de lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa. Três deles são subsecretários municipais de Arraial do Cabo, entre outros servidores públicos. A Justiça também deferiu o afastamento das funções públicas. Também foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão em Arraial e Cabo Frio, na Região dos Lagos, e na Penitenciária Ary Franco, na Capital. Até o fim da tarde, 11 foram presos e três estão foragidos.

A atual investigação teve origem nos documentos apreendidos na casa do denunciado Francisco Eduardo Freire Barbosa, preso em janeiro deste ano na primeira fase da operação. Na época, Francisco Eduardo Freire Barbosa, pai do traficante Cadu Playboy, foi denunciado por integrar um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. De acordo com a atual denúncia, o então secretário municipal e presidente da Empresa Cabista de Desenvolvimento Urbano e Turismo (ECATUR), que integra o poder público e é prestadora de serviços para a prefeitura de Arraial do Cabo, é apontado como gestor financeiro da organização criminosa e atuava também na esfera política, desviando dinheiro público da ECATUR.

Francisco Eduardo era responsável por administrar e ocultar o dinheiro ilícito do tráfico de entorpecentes (alvo da primeira operação) e dos crimes contra a administração pública, praticados por ele, seus familiares, subordinados e associados no Município de Arraial do Cabo, adquirindo bens móveis e imóveis, contratando consórcios, investimentos diversos, utilizando-se, para tanto, de contratos particulares, algumas vezes em nome de terceiros, além de desvios da folha de pagamentos. Foi detectada uma variação patrimonial acima do possível. Segundo a denúncia, em três anos, ele movimentou cerca de R$ 5 milhões, apesar de contar com vencimentos mensais de R$ 5 mil.

A investigação contou com a interceptação de conversas telefônicas, por meio de autorização judicial, cruzamento de dados, análise de contas reversas e investigação de campo. O MP também requereu à Justiça a transferência de Francisco Eduardo para um presídio federal de segurança máxima, além do sequestro dos bens móveis e imóveis dos denunciados. No início da manhã, o promotor de Justiça Marcelo Arsênio e os delegados da PF, Fábio Andrade e Wagner de Menezes concederam uma entrevista coletiva para explicar detalhes da operação. Segundo a PF, os agentes obtiveram o sequestro de mais de R$ 20 milhões em bens do grupo.

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Outros denunciados

Entre os demais denunciados estão o subsecretário municipal de governo, Cláudio Sérgio de Mello Correa, que agia junto aos órgãos municipais para viabilizar a liberação do dinheiro público a ser desviado pela organização criminosa. Em escuta analisada com autorização da Justiça, é citada uma intervenção exitosa de Cláudio Sérgio para liberar dinheiro público em favor da ORCRIM, empresa que atua junto à ECATUR. Outro denunciado identificado como Victor Canela o elogia e afirma que ele tem que “estar no grupo” e, inclusive, merece levar vantagem financeira pela atuação, com o que o denunciado Cláudio Sérgio concorda expressamente.

Marcelo Adriano Santos de Oliveira, na condição de secretário municipal de Ordem Pública de Arraial do Cabo, integrava a ORCRIM, atuando em sintonia com Francisco Eduardo, liberando ilegalmente veículos apreendidos por sua Secretaria de depósitos públicos municipais, e agindo visando a favorecer politicamente o líder político da organização criminosa junto aos serviços públicos municipais que chefiava.

Sérgio Evaristo Plácido de Aguiar, vulgo “Vivi”, ocupava o cargo de subsecretário de Serviços Públicos, também desviava dinheiro público em favor da ORCRIM, atendendo a pedidos do intermediário Victor Canela.

Canela era o “braço direito” de Francisco Eduardo e realizava os contatos determinados por ele, mesmo preso, com o grupo político da ORCRIM junto à ECATUR e ao Município de Arraial do Cabo, para que os desvios de dinheiro público fossem realizados e encaminhados ao líder político da organização. Canela também realizava, com o dinheiro produto dos crimes de tráfico de entorpecentes e contra a administração pública, os pagamentos das despesas de Francisco, de sua esposa, a denunciada Jane Barboza e da mãe de seu filho, a denunciada Raynna Teixeira. Ainda segundo a denúncia, muitas despesas de Cadu Playboy também eram pagas com os recursos produtos dos crimes praticados pela organização criminosa.

Agnaldo Silvio Luiz, novo presidente da ECATUR, e Pierre de Aguiar Cardoso, o tesoureiro da empresa, continuaram a desviar dinheiro público, sob as ordens de Francisco Eduardo, em benefício dele e da organização criminosa.

Também estão denunciados Otto Lavinas Maciokas e Peter Malheiros Maciokas, que utilizaram seus nomes e empresas para ocultar e dissimular o patrimônio obtido pela organização criminosa, por meio da aquisição de imóveis e veículos. Outros denunciados são o filho de Francisco Eduardo, Carlos Eduardo Rocha Freire Barboza, conhecido como “Cadu Playboy” e Camila Vignoli. Ambos foram beneficiários de negociações de uma cobertura no Recreio dos Bandeirantes e cotas de consórcios de veículos. O suplente de vereador em Cabo Frio, João Gomes da Silva Júnior, também envolvido na transação da cobertura no Recreio. Já Arivaldo Cavalcanto Filho realizava simulação de negócio jurídico de cessão de direitos de posse de bem imóvel com o intuito evidente de dissimular e dificultar o rastreamento da origem do dinheiro obtido pela ORCRIM em suas atividades criminosas.

Dominação I

De acordo com a primeira denúncia, a quadrilha era integrada à facção criminosa Comando Vermelho e liderada por Cadu Playboy. O bando atuava no comércio de drogas em pontos de venda implantados e mantidos em localidades da Região dos Lagos. Playboy também adquiria e recebia de fornecedores e associados armas de fogo e munições de diversos calibres, distribuídos ao resto da quadrilha, além de receber auxílio do também denunciado João Paulo Firmiano Mendes da Silva, vulgo “Russão” ou “Monstro”. Espécie de chefe ativo, João Paulo era integrante da mesma facção criminosa e chefe da Comunidade da Mangueira, no Rio.

A quadrilha também praticou crimes eleitorais no primeiro turno das eleições de outubro de 2014. Cadu Playboy arregimentou moradores de Cabo Frio e São Pedro da Aldeia para a compra de votos e boca de urna em favor de candidatos a deputado estadual e federal. O grupo chegou a praticar atos de violência para afastar cabos eleitorais adversários. O objetivo era lançar a candidatura de pessoas da comunidade ligadas ao tráfico ao cargo de vereador nas eleições de 2016.

Segundo a denúncia, Francisco Eduardo tinha aspirações a se candidatar a prefeito de Arraial do Cabo nas próximas eleições.

Fonte MPF

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