Pode morrer no Supremo

“Atos imputados à presidente no processo de impeachment poderão ser contestados na Corte”. Essa foi a decisão do presidente do STF no final da sessão plenária, que terminou às 01:14 horas da madrugada de 15/04/2016.

Traduzindo: cabe, exclusivamente, ao STF a interpretação se as duas acusações contra Dilma, o uso de bancos públicos para bancar programas sociais e a assinatura de decretos que abriram créditos incompatíveis com a meta fiscal, poderão ou não ser caracterizadas como crimes de reponsabilidade.

Tudo o que se está assistindo hoje, 15/04, se assistirá amanhã e a votação no domingo 17/04/2016, na Câmara de Deputados, poderá se tornar em um esforço inócuo.

Constará na ata da reunião do plenário do STF que apenas, e somente apenas, poderão constar da decisão da Câmara de Deputados, aceitando ou não a admissibilidade de denúncia recebida pelo presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, as duas imputações elencadas na denúncia e nada mais.

O que se está a assistir é uma sucessão de palavrórios onde deputados favoráveis à admissibilidade da denúncia falam de tudo sob o “reino do Céu”, até a pia da cozinha quebrada e o fogão enferrujado.

O espírito da burrice teria baixado e assumido o raciocínio dos deputados favoráveis ao impedimento.

É cansativo ouvir tanta bobagem, mesmo para os que sempre se opuseram aos governos do PT, incluindo este articulista.

Se a votação for favorável à admissibilidade quer parecer não haver dúvida de que a presidenta questionará o resultado no Supremo.

Não é desprezível a probabilidade de que o STF decidirá a favor da presidenta, resultando na morte súbita do processo que não seria encaminhado ao Senado.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
15/04/2016

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