PMDB do EC

Teria faltado coerência na decisão do presidente da Câmara de Deputados. Levado, talvez, pela emoção, não teria percebido que deveria ter-se afastado da presidência, se desligado do PDMB e solicitado ao TSE a criação do próprio partido, o PMDB de Eduardo Cunha (PMDB do EC).

Teria se isolado e isso, talvez, lhe seja esclarecido por que.

Não é coerente declarar-se em oposição ao governo sendo membro do PMDB, que faz parte da coligação de partidos que elegeu a presidenta Dilma e que, a seguir, estruturou seu governo alocando nos ministérios, que são extensões de sua presidência, membros dos partidos coligados.

Ao se declarar em oposição ao governo o deputado Eduardo Cunha estaria declarando oposição ao próprio partido. Não faz sentido. É como se num jogo de futebol um jogador de um dos times decidisse começar a jogar contra seu próprio time.
Na sua entrevista o deputado acusou o Juiz Sérgio Moro de atuar como se fosse “dono do País”. Não teria percebido que na sua entrevista teria se declarado “dono do Poder Legislativo Federal”. Qualquer decisão que tome poderia ser interpretada como não satisfazendo os requisitos da imparcialidade e impessoalidade especificados no artigo 37 da Constituição Federal. Permanecendo na presidência da Câmara de Deputados estaria, por conta própria, revogando o artigo.

Foi muito claro: a decisão que assumiu é pessoal. Isso não existe, jamais existiu, jamais se contemplou ou se imaginou numa República. A decisão do deputado Eduardo Cunha é uma aberração em qualquer sistema político.

Teria caído por terra a imagem de homem público que, considerada a posição que ocupa, deve ser pautada pela imparcialidade e pela impessoalidade.

O deputado Eduardo Cunha teria dado um tiro de canhão no próprio pé.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
17/07/2015

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