Pioneiros comemoram os 32 anos da plataforma Namorado 2

Pioneiros comemoram os 32 anos da plataforma Namorado 2
Pioneiros comemoram os 32 anos da plataforma Namorado 2

Pioneiros comemoram os 32 anos da plataforma Namorado 2Plaraforma é marco de evolução da exploração de petróleo no mar na Bacia de Campos

O ano era 1982, governo Figueiredo, último dos militares a comandar o país da geração ditadura. O ex-ministro Shigeaki Ueki era o presidente da Petrobrás nesta época em que o Brasil queria romper a marca dos 500 mil barris diários. A empresa ainda engatinhava para conquistar definitivamente a Bacia de Campos e transformá-la na maior produtora de petróleo do país, muito antes do pré-sal. Foi neste ambiente que começou a ser montada a Plataforma Namorado 2.

A importância desta plataforma para a Petrobrás ultrapassa as linhas da produção da companhia, para se tornar um marco de mudanças nos procedimentos das plataformas que vieram a seguir. Ela formou, talvez, uma das melhores equipes de profissionais da empresa, que deixou exemplos que foram incorporados aos comportamentos que baseiam as ações da Petrobrás até hoje.
A equipe pioneira da Plataforma Namorado 2, a PNA-2, como é conhecida, foi forjada de uma maneira tão peculiar que não é mais feita atualmente. A Plataforma foi construída diretamente no mar, a partir da instalação da Jaqueta a 170 metros de profundidade, a cerca de 50 quilômetros da costa. São quarenta minutos de voo de helicóptero. Centenas de pessoas trabalharam na construção, sob a responsabilidade, à época, da Ultratec. Toda equipe de montagem ficava hospedada num Flotel, um grande navio ancorado ao lado da Plataforma. Os profissionais, sob o embalo dos constantes e fortes ventos, cruzavam várias vezes, durante o dia e a noite, um perigoso passadiço entre as duas embarcações, tendo o céu e o mar, 60 metros abaixo, como testemunhas desse perigo. Era para trabalhar depois do café da manhã, voltar para almoçar, lanchar e jantar.

Todos os equipamentos da plataforma, como bombas e tubulações, eram instalados pelos profissionais da empresa montadora e pelos engenheiros e técnicos da Petrobrás que operariam a unidade quando estivesse pronta. Juntos, todos foram aprendendo os procedimentos e o que poderia ser economizado nas novas construções, que viriam a se reproduzir a cada ano, com a necessidade brasileira de se aumentar a produção de óleo. Ao preparar a plataforma para o primeiro óleo, já havia uma equipe de profissionais treinados, responsáveis, com conhecimento pleno do que se estava fazendo, mesmo tendo sobre os ombros uma pressão imensa.

O dia a dia da Plataforma Namorado 2 ainda exigia despesas pela companhia que foram se ajustando. Havia vários voos diários de helicóptero em horários alternados. A comunicação com os familiares era extremamente precária. As famílias ficavam praticamente isoladas durante quinze dias. O contato telefônico era feito via rádio até a base de Vitória, que ligava para as residências e repassava as ligações pelo rádio de volta à plataforma. Privacidade zero. Todos na plataforma ouviam o que era dito. Os problemas com as crianças, a falta de dinheiro para resolver as coisas, as intimidades do casal, quase sempre feitas de forma cifrada, eram identificadas pela turma a bordo, que logo arranjava apelidos bem humorados para gozar com a cara dos interlocutores.

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Os apelidos se sucediam. Todos queriam ter um “borracha”, que eram os novatos que chegavam para trabalhar na plataforma sem nunca terem sido treinados para isso. Conheciam de foto, mas a prática era muito diferente, mais difícil. Vencer as dezenas de escadas diariamente, dormir em alojamentos pequenos, vencer a claustrofobia e os medos eram a realidade. Ver uma plataforma por foto, num mar sereno, tem um certo glamour. Enfrentar as fortíssimas e frequentes tempestades em alto mar, ventanias, o balanço da maré, os riscos e a necessidade imperiosa de ser eficiente e constante no trabalho, formam mais do que funcionários. Formam verdadeiros heróis da conquista do petróleo no Brasil.

Constantemente, os tais “borrachas” eram submetidos a trotes para seus batismos. Eram vítimas de pegadinhas até que aprendessem para, no futuro, ter de formar os seus próprios “borrachas”. A brincadeira que mais se repetia era a dos banhos. Chamados a fazer qualquer coisa dentro das plataformas, simulando um trabalho importante, eram alvo de uma grande quantidade de água gelada jogada de cima. Muitas vezes, recebiam mais de um banho por dia.

O legado desta equipe, destes pioneiros, transformou a Petrobrás. A começar pelo entendimento dos novos procedimentos que viriam a ser tomados. Tanto em termos de custos, como em termos ambientais. Antigamente era feita a queima de 80% do lixo a bordo, em uma cesta especial, que depois vinha a ser suspensa por um guindaste e, após tudo estar queimado, era “afogada” no mar, para que pudessem esfriá-la e limpá-la. Esta operação atualmente é impensável. A preocupação com o meio ambiente, com a qualidade das operações e com o bem estar de todos os embarcados mudou profundamente.

Petronotícias

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