Petistas arrependidos

“Gafanhoto deu na minha roça / Comeu, comeu toda a minha plantação / Xô, gafanhoto, xô, xô! / Deixa um pouco de agrião pro meu pulmão! / Gafanhoto, isso não se faz / Deixa a minha roça em paz!”, diz a letra da marchinha de Albertinho Fortuna para o carnaval de 1947.

O PT foi e é como um bando de gafanhotos atacando nossa roça, o Brasil, e só não percebeu isso, em 1980, quando Lula despontou, porque não quis. Uns porque imaginaram ser uma alternativa para pôr um fim ao regime militar. Outros por pura ignorância já que não é possível crer que pessoas cultas acreditavam que quando Lula se dizia “de esquerda” sabia do que estava falando. E outros, por oportunismo, percebendo como era fácil manipular aquele metalúrgico que tinha a incomparável habilidade de controlar a multidão de trabalhadores que reivindicavam direitos como o de fazer greve e receber salários justos.

Com a espantosa derrocada e falência do lulapetismo, estão agora surgindo no cenário nacional, petistas arrependidos, mais uma vez se apresentando como salvadores da pátria. Entre eles Hélio Bicudo, o
lendário petista de primeira hora e que, agora, foi o primeiro a entrar com um pedido de impeachment da presidenta Dilma.

O Brasil agradece, mas sua atitude é como a do jogador de futebol que se dedicou a criticar o técnico e os demais jogadores e, vendo o time vencendo um adversário de goleada, pede para entrar, no último minuto da prorrogação no segundo tempo.

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O problema com Hélio Bicudo é que enquanto o PT ofendia e prejudicava muita gente, gente que até perdeu seu emprego, que teve sua família vilipendiada porque se opunha às práticas do PT, Hélio se calou. Não só se calou, mas apoiou ou fingiu que via as perseguições nas universidades federais onde quem se opunha ao PT era taxado de reacionário e teve sua carreira prejudicada.

Aquelas ráticas são imperdoáveis e nada que Hélio Bicudo possa fazer, agora, servirá para compensar as perdas que o PT promoveu pelo fato de ser um partido dirigido por alguém sem, obviamente, ter os mínimos requisitos intelectuais e experiência política para dirigir a agremiação que se tornou a atração da época.

Na verdade, o PT era e é um circo, com seus palhaços e acrobatas. Atraía gente, como um circo atrai crianças. Só não percebeu quem não quis e Hélio Bicudo é deles.

Boa sorte a Hélio Bicudo e aos que o seguem, mas a solução que propõe talvez seja a pior dentre as três que se tem:

1) renúncia da presidenta, substituída por Michel Temer;

2) impeachment que criaria um ambiente bastante hostil na sociedade.

Optando-se pela primeira há de se ter em mente que o substituto imediato de Temer seria o deputado Eduardo Cunha que, se reeleito para presidir a Câmara de Deputados em 2016, provavelmente infernizaria a vida de Temer como inferniza a de Dilma, agora. Resta a terceira:

3) um controle, com rédea curta, da presidenta Dilma e da Câmara, pelo Senado, neutralizando o que seria um errático Eduardo Cunha até que a crise econômica dê sinais de reversão da espetacular queda nos últimos nove meses.

Concluído o governo Dilma o País necessitará passar por um processo de “despetização” no setor público, infestado de ladrões travestidos de petistas.

Ernesto Lindgren

CIDADE ONLINE

29/09/2015

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