Pesquisadores alertam para impactos da elevação do nível do mar

Pesquisadores alertam para impactos da elevação do nível do mar
Pesquisadores alertam para impactos da elevação do nível do mar

Pesquisadores alertam para impactos da elevação do nível do marRessaca atinge a Praia do Forte em Cabo Frio em 2010 (reprodução)

Estudo patrocinado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), feito em parceria entre pesquisadores do Brasil, dos Estados Unidos e da Inglaterra, alerta que, por causa do aquecimento global e de fenômenos climáticos, o nível do mar na cidade paulista de Santos poderá se elevar até 30 centímetros até 2050, trazendo tanto impactos ambientais quanto econômicos.

O estudo faz parte de um acordo de cooperação com o Belmont Forum, grupo formado pelas principais agências financiadoras de projetos de pesquisa sobre mudanças ambientais no mundo. Seus resultados foram apresentados às autoridades e à população de Santos no dia 30 de setembro.

Segundo o chefe de pesquisas do Centro de Monitoramento de Desastres Naturais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, José Marengo, que coordena o projeto no Brasi, esta é a primeira etapa do projeto, e a segunda fase será divulgada no dia 1º de dezembro, com a apresentação de propostas de ações de adaptação para minimizar os efeitos da elevação do mar. “Vamos mostrar à população e ao governo que as perdas econômicas são muito menores quando existem medidas de adaptação”, disse Marengo.

A mesma metodologia foi aplicada para fazer projeções de aumento do nível do mar e inundações nas cidades de Broward, na Flórida, Estados Unidos, e em Selsey, na Inglaterra. O modelo é alimentado por informações das prefeituras locais, como topografia, destinação das propriedades, Imposto Sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). De acordo com o estudo, o prejuízo econômico no município de Santos pode atingir R$ 600 milhões até 2100. Marengo disse que, em Broward, a perda é estimada em torno de US$ 1 bilhão no mesmo período.

Ele antecipou que uma das sugestões, do ponto de vista da engenharia, é reforçar muros com a colocação de comportas em algumas áreas do litoral santista. Na parte ambiental, as propostas incluem a recuperação dos manguezais e o engordamento das praias com a colocação de mais areia.

Marengo espera que, no segundo semestre do ano que vem, o estudo já possa abranger outras áreas do litoral brasileiro, como as cidades do Rio de Janeiro, de Fortaleza e do Recife, mas alertou que tudo vai depender das informações que as prefeituras fornecerem. “Se queremos aplicar em outras áreas costeiras, precisamos que os dados estejam ordenados.”

Para o presidente do conselho da organização não governamental (ONG) Associação MarBrasil, Ariel Scheffer, que atua na conservação de ecossistemas marinhos no Brasil, cada região costeira brasileira deve ter estudos próprios sobre a elevação do nível do mar porque, devido às dinâmicas oceanográfica e climática, haverá projeções diferenciadas de crescimento.

Ele ressaltou que as consequências da elevação do mar são graves para a biodiversidade brasileira. “Qualquer aumento causa um impacto muito grande.” Como biólogo, Scheffer disse que a preocupação é com a supressão de habitats e a perda de biodiversidade e de alguns serviços ecossistêmicos, como a pesca. Outra preocupação é a perda de patrimônio. A supressão de manguezais e restingas, por exemplo, pode gerar perdas materiais importantes, afirmou.

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Marengo confirmou que, além dos impactos referentes à infraestrutura física, isto é, aos prédios da orla, o aumento do nível do mar pode gerar inundações das áreas litorâneas. As ressacas podem acabar com a praia, devido à erosão, e há possibilidade de a água entrar nos prédios. Daí a necessidade de se instalar sistemas de comportas e proteção na estrutura física.

Pode ocorrer também impacto de ventos mais fortes que levem as ondas do mar mais para dentro e também a possibilidade de chuvas mais intensas. “Esse é todo um cenário que acompanha a elevação do nível do mar. O que se espera é que, nas próximas décadas, isso comece a aparecer, podendo, em 2100, passar de um metro [a alta do nível do mar]”, alertou Marengo.

Agencia Brasil

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