Perfil de Lula segundo ele mesmo

Depois de afirmar que “O processo de escolha dos nomes dos diretores não contava com [minha] participação”, Lula eximiu-se de qualquer responsabilidade na indicação dos diretores da Petrobrás, mas cometeu um ato falho ao declarar que “Concordava ou não com o nome apresentado, a partir dos critérios técnicos que credenciavam o indicado”.

Se “concordar ou não” não envolve participação num processo de escolha, então o “homem sem malícia” teria sido o mais displicente, alheio e irresponsável presidente da República.

Declarou que “Recebia os nomes dos diretores a partir de acordos políticos firmados; este processo de acordos políticos era feito normalmente pelo ministro da área, pelo coordenador político do Governo e pelo partido interessado na nomeação; teve vários coordenadores políticos ao longo de seus oito anos de mandato”. Citou Tarso Genro, Jacques Wagner, Alexandre Padilha, Aldo Rebelo, etc. Disse não se recordar qual destes articuladores políticos tratou das nomeações de Renato Duque e também de Nestor Cerveró.

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As declarações que fez no depoimento à PF em 16/12 pode lhe custar uma avalanche de retaliações de quem já foi julgado e condenado, pelos que estão aguardando indiciamento, julgamento e eventual condenação. Em particular, José Dirceu que insiste em negar a afirmação: “Que o nome de Renato Duque foi levado à Casa Civil da Presidência da República, à época chefiada por José Dirceu”.

Ao se eximir Lula estaria se declarando um “laranja”. Assinava sem saber o que estava fazendo. Ao descrever o processo de escolha, do qual participava, nomeando os participantes, teria ligado uma “metralhadora giratória”.

A PF, possivelmente, gostaria de saber quais são os nomes que fazem parte do “etc.”.

“O responsável pelo Governo é o Chefe do Governo”, repete a TV Globo. Lula não escapa dessa.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
19/12/2015

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