Paulo Pizão explica os Estudos de Impacto do shopping Parklagos

Praia das Palmairas. Um bairro residencial e tranquilo

(Janeiro de 2011) O empresário Paulo Pizão, responsável pela Servec Ecologia, empresa que fez o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) para o projeto do Shopping Parklagos, declarou que a proposta do grupo João Fortes “é manter um mecanismo de comunicação constante com as associações de moradores para dar e receber informações periódicas acerca da obra”.

No entanto, a julgar por inúmeras reclamações de moradores das Palmeiras, a empresa já começou falhando nesta sua proposta. Vizinhos da área vêm questionando o fato de não terem sido consultados ou convocados até agora para uma audiência publica como determina a lei. Em entrevista a CIDADE, Paulo Pizão sugeriu que a reunião ocorrida na prefeitura no final do ano passado, teria sido já uma audiência pública, uma das solicitações da Uni-Amacaf à Justiça. “Não sei se você sabe, mas teve uma audiência pública, com umas 60 pessoas”, comentou ele, referindo-se à apresentação do projeto aos Conselhos de Meio Ambiente e Plano Diretor.

Por outro lado, Paulo Pizão garantiu que, apesar do nome ser ‘impacto de vizinhança’, o estudo não implica numa consulta aos moradores e que a legislação foi devidamente observada. “Nós seguimos todos os trâmites. Não somos um tipo de Ibope ou IBGE, não acontece assim. Não se trata de uma consulta a pessoas, mas a produção um relatório a ser apresentado na audiência pública. Depois, recolhem-se desta audiência e de conselhos de defesa do Meio Ambiente e do Plano Diretor as opiniões que irão impregnar a decisão da prefeitura. A consulta à população está concentrada na audiência pública”, explicou.

paulo pizaoPizão conta que antes mesmo de sua empresa iniciar o referido estudo, a empreendedora do shopping, a João Fortes Engenharia, já havia feito três relatórios prévios. O primeiro, sobre Tráfego, o segundo Arqueológico, e o terceiro, um levantamento arbóreo, no qual foram catalogadas todas as espécies de plantas importantes do local. “Só depois é que eu vim com minha equipe”, justificou, explicando ter sido esta formada por um urbanista, um engenheiro agrônomo, um biólogo e um especialista em solo.

Ele esclareceu, também, que o estudo de Impacto de Vizinhança é um mecanismo de avaliação prévia de implantação de empreendimento normatizado pela própria prefeitura da cidade, e que foram feitas visitas a campo, tendo sido constatada, entre outras coisas, que as características do terreno são pobres. O estudo, segundo ele, revelou se tratar de uma área bastante degradada, sem vegetação de grande significado, e sem fauna de relevância. “É uma fauna doméstica que não precisa ser protegida, à exceção de um mangue dentro do terreno, que recomendamos ao construtor que incorporasse ao projeto para que aquele ecossistema fosse preservado”, destacou.

O empresário considerou, por outro lado, os impactos diminutos, pois irão beneficiar o Canal Palmer e a lagoa. Informou, ainda, que a empresa se comprometeu a fazer o ordenamento, de forma a proteger a lagoa, de um terreno da prefeitura em frente ao shopping. Questionado sobre os sambaquis existentes no terreno, Pizão diz ter sido orientado pelo Iphan para fazer o “salvamento”, ou seja, a retirada de material para estudo e pesquisa. “Foi mantido o que já estava no Portinho, que vai ser incorporado ao processo de proteção que o grupo irá preservar”. Para garantir o sitio, informou, dentro do empreendimento haverá uma praça, cujo chão será de vidro, e debaixo deste ficarão os sambaquis remanescentes. Ou seja, o público vai poder “pisar” em cima do local histórico, sem tocar o solo. “Se o Iphan permitir vão ser os originais, se não serão umas réplicas que vão se juntar a programas de Educação arqueológica, mostradas em caráter permanente a população”, observou.

Do ponto de vista sócio econômico, o estudo garante que o impacto será amplamente positivo, pois serão dois mil empregos gerados no início, e três mil na fase de operação. “Isto vai causar um benefício grande, pelo volume de novos salários que estarão chegando à cidade”, diz Pizão, calculando “uma faixa de 40 milhões de reais relativa a salários pagos sendo movimentados na cidade, mais dez a quinze milhões retornando em impostos para o município”.

(Textos: Paula Maciel)

Janeiro de 2011

COMPARTILHAR