PARTE 5 – QUEM PENSA NO FUTURO?

Nesta parte vamos ver a importância da informação, mas, acoplada às emoções, e também o perigo da repetição e a consequente banalização.
Desde remotas épocas que o homem busca conhecer o futuro. Não o futuro das rotinas do dia a dia, mas o futuro das expedições de caça, das manobras de guerra, das forças da natureza, etc.
O futuro das coisas desconhecidas.
Com o passar dos anos e o desenvolvimento das civilizações, algumas coisas deixaram de ser desconhecidas mas um monte de coisas desconhecidas surgiram e aí a necessidade de conhecer o futuro se ampliou tremendamente, mas o homem aprendeu a necessidade de aumentar seus conhecimentos e aparentemente um equilíbrio se estabeleceu.
Mas se o conhecimento ampliou as possibilidades de realizações e, portanto de escolhas, ampliou também as possibilidades de resultados não desejados ou ruins ( ameaças). Mas, a parte mais importante de todo esse processo não mudou nada. O ser humano continua acreditando nas fatalidades da vida, e sem saber como mudar a criação antecipada dos resultados, segue buscando o prazer e tentando fugir do desprazer. Não sabe como mudar suas escolhas. Estas são feitas automaticamente pelo cérebro ao criar as imagens e filmes antecipadamente. O projeto original da natureza é muito bom, para mostrar a ele o que acontecerá se aquele resultado prévio imaginado for concretizado.
O que? Agora você pisou forte!
Alguns aprendem a mudar o futuro. Porque somente alguns?
Será que em geral não estamos preocupados em saber o futuro? Olhando à nossa volta, vendo, ouvindo as noticias da mídia, parece que não tem quase ninguém querendo saber do futuro. Certamente os doentes e os torcedores de futebol.
Mas, existem as cartomantes que estão vivendo bem graças às pessoas que querem saber se vão ser felizes ou não.
CRENÇAS
Mas se fosse feita uma pesquisa e se perguntasse por aí pelas ruas: você gostaria de conhecer o seu futuro? Muita gente diria sim eu gostaria.
A respeito de que você gostaria de conhecer o futuro?
Todos pensariam de algum resultado desejado que é muito mais importante do que as coisas do dia a dia. Pensar somente não leva a nada, é necessário ir em frente. Mas existe uma força poderosa que impulsiona o ser para frente ou o faz desistir.
Essa força chama-se CRENÇA.
Se você acredita que é capaz de conseguir o resultado ou realizar a tarefa, sua imaginação vai criar imagens do resultado dando certo que farão você se sentir bem e motivado.
Se você não acredita que é capaz, então sua imaginação vai criar imagens do resultado dando errado e nesse caso você se sentirá desconfortável e não terá motivação para prosseguir.
Alguém poderá dizer que é o contrario, isto é, primeiro a imaginação gera imagens ruins com resultados dando errado e então é que a pessoa passa a acreditar de que não é capaz juntamente com a falta de motivação.
É bem possível que seja assim, porque o ser nasce para viver e ser feliz e com a crença de que é capaz. Mas experiências desastrosas e repetidas, isto é resultados ruins passam a ser a fonte onde a imaginação vai buscar o material para gerar as imagens e filmes antecipados. Isto é o que estava acontecendo com o Sr Rosalvo na PARTE 1.
Imagens de resultados ruins, mais crença negativa, mais a falta de motivação geram na pessoa um estado de desanimo com emoções ruins e desconfortáveis que impedem a visão de alternativas boas, e acabam com a criatividade e a capacidade de buscar as informações necessárias para conseguir resultado favorável e prazeroso.
Motivação é a conseqüência do tipo de imagens que o cérebro está construindo. Se forem imagens com prazer, a motivação aparece. O grau do prazer determina o grau da motivação. Determina também o grau da força da crença.
Pelo visto, esse mecanismo da imaginação tem um poder quase total sobre nossas vidas, mas penso que esse foi o objetivo da evolução.
Aqui acabou de surgir um bom tema para a reflexão.
Cabe lembrar que esse processo é extremamente rápido, quase instantâneo e por isso quase inconsciente, mas naqueles tempos primitivos tinha de ser assim senão as feras teriam comido todos e não haveria seres hoje.
INFORMAÇAO É NECESSARIA, MAS…
O que é necessário para saber o que vai acontecer?
Informação. Sempre foi assim, desde os tempos das cavernas. Mas existem dois tipos de informação, as internas que estão no cérebro do individuo e as externas. Estas por sua vez podem ser também de dois tipos, as que você já conhece e as que são novas, desconhecidas. As primeiras vocês já sabem que força tem o que produzem, se são confiáveis, se são ameaças, se oferecem risco, se serão fonte de desconforto ou se serão fonte de prazer, alívio, etc.
E para as que você ainda não tem opinião, você terá de buscar conhecê-las com os outros ou nos livros, internet, etc. E então é só isso?
Aquela serie JORNADA NAS ESTRELAS tem um personagem venusiano Mr Spock que tem uma enorme capacidade de memória e que não sente emoção, mas é capaz de um raciocínio lógico fora do comum. Mas, sem sentir emoções não se pode saber o que é melhor ou pior, que são sensações produzidas pelas emoções e assim a lógica do Mr Spock sem emoções, não tem utilidade alguma.
Mas nós animais, não somos assim. Para nós cada informação traz uma emoção que tem um peso enorme na escolha e, portanto na definição do futuro. Vou dar um exemplo:
Dois vendedores estavam numa convenção juntos com outros 200, e num dia de folga decidiram passear de balão. No começo estava tudo maravilhoso, até que surgiu um ventinho sem vergonha e carregou o balão para uma zona nublada e aí eles ficaram muito emocionados com um enorme medo. Não viam nada a não ser o próprio balão. Por fim surgiu uma clareira e perceberam muito contentes que não estavam longe da terra e alem disso havia dois camaradas segurando cada um uma pasta preta. Os dois astronautas desandaram a gritar até que os dois de baixo olharam para cima e abanaram os braços. Os dois de cima gritaram a pleno pulmão, ONDE É QUE ESTAMOS? Depois de muita repetição os dois de baixo gritaram: NUM BALÃO. Isso deixou os dois de cima raivosos e comentaram entre si, aqueles dois são o Sr Spock e o Sr DATA;
A emoção está ligada lá dentro com as ânsias, com os desejos, com uma força ou energia que encadeia uma seqüência de novas informações pertinentes e importantes que não foram mencionadas, mas que passam para os outros seres que tem emoções. No exemplo acima os dois de baixo não tinham emoções e, portanto não podiam saber que os perguntadores estavam numa grande aflição, pelo contrario, acharam que estavam simplesmente passeando num balão e por causa disso não responderam à pergunta subentendida pelo tom de voz, que os de cima queriam saber.
É interessante observar que os seres humanos são referenciados geralmente como “tem boa memória”, “é inteligente”, etc. e nunca é referenciado como um ser emocional, a não ser nos casos de comportamentos que destoam muito, e nesses casos são às vezes chamados de irracionais.
Não somos avaliados pelas nossas estruturas emocionais muito embora elas sejam a parte mais, mas muito mais importante de nossas vidas. Estou insistindo nesse ponto, porque elas têm um peso enorme no futuro de cada um, muito mais do que as informações.
Será que poderíamos dizer que nossas memórias (informações), são de fato porções de emoções com um rotulo que nós chamamos de informação ou simplesmente memória? E quando você traz as lembranças para uma analise e uma decisão ou escolha, na verdade você está trazendo porções de emoções com os rótulos respectivos e aí você pensa que está fazendo suas escolhas pelos rótulos e não sabe que de fato é pelas emoções.
Por exemplo, numa casa onde uma família se forma, nascem os filhos, crescem, são educados naquele ambiente, naquela cozinha, naquela sala, naquele quartinho arrumadinho ou não, e anos mais tarde todos tem lembranças de quase tudo isso.
Que lembranças?
Cada um tem de fato lembranças diferentes, embora as pessoas lembradas e os objetos sejam os mesmos. O que acontece é que cada pessoa, ou objeto é o rótulo de uma porção de emoção e que é particular de cada um dos filhos. Esse fenômeno acontece igualmente com todas as lembranças. Assim a memória não é constituída de coisas e pessoas, etc., e sim de porções de emoções, cada uma com o nome da coisa, ou pessoa.
As lembranças são diferentes para cada um dos filhos. O pai não é o mesmo pai, idem para a mãe e para cada um dos objetos daquela casa.
O mesmo pai gera emoção diferente em cada filho e por isso ele deixa de ser o mesmo pai. Cada filho tem um pai “diferente”, isto é que desperta lembranças e emoções diferentes. Assim também, com a mãe, com a mesa de jantar, com o banheiro, com os vizinhos, escolas, colegas, tudo é diferente na memória de cada um, porque o que existe na memória são emoções, e cada coisa está lá registrada como uma porção de emoção com um rotulo, um nome.
O nome é o mesmo em todos, mas a emoção é diferente.
O nome é o índice que serve para a pesquisa da lembrança. Imagine uma prateleira cheia de embalagens que você acessa e escolhe pelo nome do rotulo e você imediatamente “sente” porque você sabe o que tem dentro. Esse sentir é a porção de emoção.
A B A N A L I Z A Ç Ã O
Pode acontecer de haver caixas vazias (emoção quase zero), se você vai com muita freqüência e escolhe a mesma embalagem. Por exemplo, você vai para o trabalho pelo mesmo itinerário que era lindo nas primeiras vezes e com o tempo você nem olha mais para as belezas. Ou se você ouve a mesma musica, ao fim de algum tempo você já não sente mais a emoção de ouvi-la. Nestes casos, a repetição vai esvaziando a caixa, como que vai acabando o estoque da porção de emoção. Este fenômeno chama-se BANALIZAÇAO.
Preste atenção, nas primeiras vezes que você pensou em ouvir a musica, você sentiu um grande prazer mesmo antes de ouvi-la. Aquele lindo itinerário provocava prazer só de pensar em percorrê-lo. Mas a repetição tira essa magia do prazer antecipado e assim você vai pelos mesmos caminhos, mas sem prestar atenção nele. A visão antecipada do caminho é a escolha do que você vai fazer, é o seu futuro.
A banalização acontece quando você (inconscientemente) tira o prazer da visão do futuro nas coisas rotineiras.
O PERIGO DA REPETIÇAO
Tudo que se torna repetitivo, com exceção de comida, sofre o efeito da perda do prazer antecipado e, portanto da obtenção do resultado. Isto acontece também com os campeões nos esportes, que com a repetição as vitorias já não tem o mesmo sabor. Neste caso o efeito pode ser dramático, porque se ele não antecipa uma grande emoção na visão do resultado antecipado, ele deixa de se preparar adequadamente para ganhar e ser vitorioso.
Se você quer ser uma pessoa feliz a maior parte do tempo, você tem de praticar eliminar a banalização dos resultados que o teu cérebro vai construindo antecipadamente. Nelson Rodrigues disse que até para chupar um chicabon você necessita de inspiração.
Como impedir a banalização?
Para isso é necessário enriquecer sempre os resultados antecipados. Enriquecer é destacar as coisas boas, valorizar o passado observando os eventos que tornaram a vida melhor, mesmo os aparentemente sem valor. Criar historia. Focar a atenção no que traz prazer.
Um bom exemplo de anular a banalização é o agricultor. Toda ano ele começa do zero e planeja detalhadamente ( resultado antecipado) e sente um enorme prazer na visão dos resultados antecipados. Não é somente a terra que tem de ser fértil, mas sua imaginação também. O trabalho do vendedor tem muita semelhança com o do agricultor. Começa do zero no inicio do ano e cultivando , irrigando, fertilizando vai colhendo os frutos ao longo do ano. Quando termina o ano a colheita poderá não ser o que imaginou, mas a terra já foi bem fertilizada durante todo o ano, e no próximo período a colheita poderá ser compensadora.
As promessas muito comum que fazemos nas festas de fim de ano, são também uma tentativa de criar interesse e prazer numa vida que se tornou rotineira e banalizada. Mas para dar certo é necessário usar a técnica correta, mas que não é ensinada.
Este processo de evitar ou reduzir a banalização é muito bom para manter um clima prazeroso na família com a esposa e os filhos.
Na PARTE 6, vamos detalhar os passos para a pratica do ORACULO, como construir o seu futuro conscientemente.
ATÉ MAIS

José Augusto Sathler

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