Parklagos apresenta projeto na Camara

planta baixa
Planta baixa do shopping

planta baixa

(01 de Abril de 2011) 

João Fortes apresenta projeto do shopping Parklagos na Câmara de Cabo Frio

Após uma reunião a portas fechadas com os vereadores. ocorrida na quinta-feira (30) e que durou de 11 até 14 horas seguida de almoço no restaurante Piccolino, os empreendedores do shopping Parklagos aceitaram o convite da Câmara para apresentar o projeto em plenário após o término da sessão ordinária do dia 31.

Chamada pelo presidente da Casa de “1ª Audiência Pública” do empreendimento, a nomenclatura não resistiu à crítica da platéia presente, que questionou a inexistência dos ritos que formalizam a convocação de uma Audiência Pública legal. A convocação foi feita pelo gabinete do vereador Fernando Comilão por email a partir da tarde do dia 30 para algumas entidades e empresários.

A Uni-Amacaf, que congrega 38 associações de moradores, e fez representações nos Ministérios Públicos Federal e Estadual questionando a implantação do empreendimento em zona residencial sem consulta à sociedade, não foi convidada.

Também a imprensa não recebeu convite. Lana Esch, da In Press, assessora de imprensa do shopping negou que não tivesse acontecido uma divulgação para a reunião. “Saiu uma matéria num jornal semana passada”, alegou, referindo-se a matérias publicadas nos jornais de “Sábado” e “Folha dos Lagos”, onde se aventava a possibilidade de haver uma apresentação pública na Câmara. Diante disso, o presidente da Câmara corrigiu a terminologia, e a apresentação passou a ser denominada de “reunião pública”.

taylorVereador pediu que propaganda fizesse ressalva sobre a situação do licenciamento

O projeto apresentado na Câmara foi o mesmo para o qual o empreendedor solicita emissão de Licença de Instalação no Inea (Instituto Estadual do Ambiente), e que foi motivo de várias recomendações do órgão quando da emissão da Licença Prévia. E Leonardo Neves, gerente de Negócios da João Fortes , citou em diversos momentos, para dar suporte às suas considerações, os Estudos de Impacto de Vizinhança e de Trânsito, que foram rejeitados pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente, em reunião ordinária no dia 18 de fevereiro último. 

“Não sabemos de nada disso. Não temos conhecimento de exigências e a prefeitura não falou nada da rejeição dos estudos”, garantiu Leonardo.

Um dos pontos fortes do empreendedor, a geração de empregos, foi também questionada na reunião. “Até aqui já se investiu muito dinheiro em mão de obra. E só mão de obra qualificada, caríssima, que é a parte da formulação de projeto, maquetes, paisagismo, estudos ambientais, propaganda, etc. Quantas pessoas de Cabo Frio trabalharam no projeto até agora?”, ponderava o ambientalista Paulo Klem, antes de endereçar a pergunta ao gerente. Leonardo explicou que até agora nenhum profissional local havia se beneficiado dessa oferta de emprego, exceto o jornalista da Intertv, Max Andrade, que funcionava na reunião como assessor do grupo, filtrando as perguntas da platéia e até mesmo respondendo algumas.

Os vereadores Dr Taylor (PMDB) e Valci Rodrigues (PPS), observaram que a legislação municipal não permite a instalação de um empreendimento desse porte no local pretendido. “Ali é zona residencial. Um bairro de mais de 100 anos, de famílias tradicionais, vai ser um impacto muito grande”, disse o vereador Valci. Leonardo Neves alegou que o shopping “não é um grande comércio, e sim um grupo de vários pequenos comércios”.

O comércio que deverá se instalar dentro do shopping é composto de 180 lojas que deverão ser ocupadas por bandeiras como Lojas Americanas, Bobs, Mariza, Casa& Vídeo, quatro cinemas e diversos restaurantes, entre outros.

Pega na Mentira

Enquanto o gerente de Negócios da João Fortes afirmava que no dia seguinte (01 de abril) a empresa iniciaria uma campanha na Intertv, era diversas vezes questionado pelo vereador Dr Taylor. “Peço ao senhor que não faça isso, pois vai gerar desinformação. As pessoas vão achar que o shopping está liberado, e não está. Peço que não façam essa divulgação, pois pode gerar mais confusão para a população, e se o fizerem, por favor, que incluam a informação de que o empreendimento ainda não tem as licenças e está sujeito a modificações e pode até mesmo não acontecer”, pediu o vereador.

O que o Poder Legislativo não sabia, é que enquanto esse debate era travado na Tribuna da Câmara, os comerciais já estavam sendo exibidos de forma maciça na TV aberta, e antes mesmo do término da reunião já corria a notícia do início das obras nos quiosques da Praia das Palmeiras.

“É um absurdo! Uma falta de respeito muito grande com a população e com a Câmara. Então foram lá fazer o quê, se já está tudo resolvido? Depois da reunião eles estiveram na minha sala, dizendo que eu era o único vereador que eles estavam procurando, porque acharam as minhas observações procedentes”, disse o Dr Taylor.

O vereador declarou que está entrando com uma representação junto ao Ministério Público para questionar o descumprimento da legislação municipal. “A prefeitura não poderia dar a licença prévia. Não existe como burlar a Lei! A população tem que ser respeitada. Mas, isso só está acontecendo por que existe conivência da prefeitura”, salientou o Dr taylor.

(Niete Martinez)

 

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