Paletós e blazers

Dezenas de lavanderias irão tirar os pés da lama lavando 4.300 paletós e blazers de funcionários do tipo “Está na casa e acho que está numa reunião com o ministro ou com presidente, não havendo previsão de quando voltará”.

Redes de televisão, jornais e blogs Brasil afora anunciaram que Temer decidiu cortar 4.300 cargos comissionados no governo federal do que resultará uma economia de R$230 milhões por ano. Esses infelizes dispensáveis estavam recebendo a média de R$4.500 por mês para reduzirem a quantidade de oxigênio nas salas por onde passavam para pendurarem seus paletós e blazers.

Comparada com a decisão do prefeito Alair Corrêa, Cabo Frio, de demitir 4.000 funcionários não concursados, em abril último, com uma economia de cerda de R$80 milhões por ano, a de Temer é um pingo d´água na laguna Cabo Frio.

E, ainda, se a decisão de Temer mereceu tanta atenção, a de Alair deveria ser destacada em manchetes nas primeiras páginas de jornais e ser objeto de matéria especial em redes de TV mundo afora.

Essa decisão de Temer pareceria uma piada de mau gosto, um tipo de ação de que quem quer “mostrar serviço”.

Se quer dar exemplo, tomando Cabo Frio como referência, sendo o orçamento da União cinco mil vezes maior do que o do município, Temer deveria ter cortado muito mais.

Em Cabo Frio há cerca de 25 mil servidores de carreira na prefeitura e o total de quatro mil comissionados demitidos é relativamente alto quando se compara com os 23 mil servidores comissionados no total de dois milhões de servidores públicos de carreira no governo federal. Mas, mesmo assim, o gesto de Temer não terá o impacto de quem precisa se firmar perante o País.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
12/06/2016

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