Os Lula da Silva: outra história mal contada

Dona Marisa desistiu da compra do apartamento 141 no edifício Solaris, Guarujá/SP, em 27/10/2009, mas só pediu a devolução do que havia pago em 26/11/2015, quase seis anos depois. Porque? Porque no mesmo documento onde comunica a desistência expressou, no item III, “Em sendo de meu interesse, firmar os documentos necessários junto a OAS Empreendimentos S.A., para aquisição de unidade autônoma no empreendimento usando meu crédito acima…”. Só faltou especificar que a “unidade autônoma” era o apartamento tríplex 164-A que os Lula da Silva passaram a visitar entre 2009 e 2015, acompanhando as obras.
Com a nota divulgada no domingo, 31/01/2016, o Instituto Lula teria “matado a pau” a fofoca em torno do tríplex, tornando público vários documentos que, infelizmente, geram mais dúvidas. Como tudo o que se refere a Lula seria mais uma história mal contada.
Seria válido especular que o ex-presidente Lula espera poder ir, de cabeça erguida, ao MP de São Paulo para responder as perguntas que o promotor queira fazer. Talvez o faça, mas não escapará de novas perguntas, estas sem respostas.
Nota-se uma sequência de comportamentos que seriam desviantes e premeditados que explicariam as confusões em que a família do ex-presidente se meteu e se mete. Explicariam, mas não as justificam e sugerem que quando coisas esquisitas começaram a acontecer, ainda em janeiro de 2003 imaginavam-se, quiçá, intocáveis, como ainda hoje se considerariam.
São muitas as confusões, qualquer uma mais recente ofuscando as anteriores, a consequência sendo uma só: quando todas forem consideradas para uma avaliação final talvez escapem da prisão, mas não escaparão de uma penalização pela sociedade ou parte dela.
Há, também a história do sítio em Atibia. Pelo que se sabe, dois sócios de um de seus filhos são os proprietários do imóvel, mas quem o usa é Lula. Porque não comprou seu próprio sítio, como faria qualquer outra pessoa com idêntica condição financeira?
É esse comportamento, desviante, que chama atenção. Em lugar de passar despercebido, como são as coisas íntimas de qualquer pessoa, desponta com estardalhaço e, no caso particular de Lula, associado aos escândalos que se tornaram a marca registrada do PT.
Parece haver a percepção de que o PT se encontra numa situação do tipo “vai ou racha”, de “vida ou morte”, admitida pelo seu presidente ao anunciar que “Lula é o plano A do PT para 2018, não há plano B”. Implicitamente admite que não espera bons resultados nas eleições deste ano, resumindo o cenário que parece estar sendo percebido por muitos: sem Lula o PT não existe.
Ernesto Lindgren
CIDADEONLINE
31/01/2016

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