ORÁCULO – o conhecimento do seu futuro – Parte 1

Ao longo da evolução a natureza dotou o cérebro com a habilidade de saber de antemão o que provavelmente vai acontecer à frente.

Mas com a chegada da civilização nossa atenção é desviada constantemente pelas nossas emoções para as ocorrências ‘a nossa volta e pela mídia e assim esquecemos de usar essa fantástica habilidade de forma proveitosa.

O texto consta de seis partes ou capítulos que exploram de uma forma pratica para o uso diário, essa função espetacular do cérebro que é a imaginação.

PARTE 1 – CRIANDO IMAGENS
Laurindo Scheitz beirava já os 70 carnavais, mas ninguém diria isso, tal era a aparência de saúde e disposição.

Conheci-o no final da década de 60. Eu sempre gostei de caminhar pelas estradas de Minas, estradinhas de terra que serpenteiam pelas encostas das colinas e montanhas, as vezes pelos raros bosques ainda sobreviventes, e nessa região pelos beirais dos cafezais. Hoje você não vê mais lavouras de milho e feijão.

Numa dessas caminhadas, topei com ele. Cumprimentamo-nos e talvez mais por curiosidade, conversamos. Mineiro aceita outro mineiro se houver outros conhecidos como que uma referencia. Convidou-me para um café com broa e pronto, ficamos amigos.

Visitei-o varias vezes porque sua presença era muito agradável e os assuntos eram também muito interessantes.

Conversávamos sobre quase tudo, menos política, futebol e religião.

Eu particularmente estava muito interessado sobre como as pessoas do interior, da zona rural, e das cidades pequenas mantemos relacionamentos familiares e de alguns poucos amigos.

Eu fui criado nessa região, mas aos 17 anos fui estudar numa grande cidade e naquela ocasião nem pensava nesses assuntos.

Uma dessas conversas interessantes foi sobre como ele se tornou fazendeiro. Ele também foi estudar medicina no Rio de Janeiro, mas antes de terminar, seu pai faleceu e ele filho homem único parou os estudos e voltou para casa para tomar conta da fazenda.

Daí em diante a conversa fluiu fácil e fértil. Como é que ele desmanchou um sonho importantíssimo que estava prestes a se realizar e constrói quase que instantaneamente outro bem diferente. Ele explicou que não foi tão instantâneo, porque seu pai ficou doente um bom tempo e assim ele foi criando perspectivas realistas sobre essa possibilidade.

Perguntei, com que você sonha atualmente?

Sonho com as coisas de minha vida e minha família. Sonho com uma colheita de milho boa no ano que vem.

Sonho com boas chuvas adequadas. Sonho sempre com coisas boas para meus filhos.

Mas eu ocupo minha mente mais com as possibilidades da fazenda, porque eu sou o responsável pelo que acontece e pelos resultados.

Numa outra ocasião perguntei sobre seu vizinho Rosalvo Kunschy cuja propriedade parecia um pouco abandonada. Será que o Sr Rosalvo havia parado de sonhar?

Laurindo respondeu serio e pensativo. Rosalvo estava bem, com uma bela e prospera propriedade, e um dia suas duas filhas foram passar as férias na casa da tia numa cidade grande. Lá, uma delas se apaixonou por um rapaz e não houve jeito dela pensar em outra coisa. Fugiu, e casou com ele na grande cidade. Voltaram para a fazenda, porque o rapaz não tinha profissão nem emprego e deu tudo errado. O rapaz decidiu voltar e a filha foi junto e Rosalvo ficou numa tristeza de dar dó e depois disso relaxou e não cuidou mais da fazenda.

Quer dizer que ele parou de pensar e sonhar nas colheitas, no gado, nos porcos, etc. ?

Sim porque houve uma quebra do equilíbrio em sua mente. Ele tinha a vida, as atividades organizadas, os resultados planejados e cuidados, tanto para a fazenda como para a família. Como você sabe, a família é a coisa mais importante e quando aconteceu aquele tremando imprevisto, desequilibrou toda a sua mente. Foi como uma balança de dois pratos em que foi colocado num dos pratos um peso enorme.

Laurindo continuou, a coisa se passa como se de repente a água que se usa para preparar o almoço se estraga e assim toda a comida sai também estragada. Quando a pessoa entra nesse estado de tristeza, o céu fica cinzento, as cores perdem o brilho, você não houve mais o canto dos pássaros, você não se encanta com as sementes de feijão germinando, o mugido da vaca te aborrece e assim por diante. Os sonhos acordados, as imagens dos resultados futuros usam sempre o que está disponível na mente e no caso do Rosalvo, está usando o material que está produzindo a tristeza, e que é um material ruim, que não presta para construir sonhos, para criar imagens de resultados futuros bons.

Nesse dia após escutar Laurindo, eu me despedi e voltei caminhando bastante pensativo com suas ultimas palavras dançando e pulando em minha mente. As palavras foram “criar imagens de resultados futuros bons.”

Nos dias seguintes minhas caminhadas foram diferentes, porque eu olhava todo aquele espaço aberto e as mesmas palavras continuaram entrando e saindo. Num certo momento eu percebi que inconscientemente quando eu olhava as plantações eu estava olhando o futuro, isto é, as colheitas, eu estava de fato olhando as imagens do futuro que eu estava construindo no cérebro.

Será que estamos continuamente construindo imagens do futuro? Será que é assim que nosso cérebro nos informa do que vai acontecer? Será que é assim que nós construímos nosso dia do amanhã?

ATÉ A SEGUNDA PARTE- o futuro é um espaço.

José Augusto Sathler
10/05/2017

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