OPINIÃO > RENATO SILVEIRA: O direito de ter uma arma para que?

Mãe policial reagiu a assalto e fato reacendeu o debate sobre porte de armas | Reprodução
Renato Silveira
Desde que inventaram a pólvora, o homem ampliou as possibilidades de matar de forma violenta. De lá pra cá, com o advento dos fuzis e metralhadoras ultramodernas, a situação só piorou.
No Brasil, tentou-se nos anos 90, através de plebiscito, reduzir a possibilidade de porte de arma, com a ideia de que quem possui armamento, ou é policial ou é bandido. Portanto, qualquer pessoa flagrada sem ser membro de corporações policiais ou militares, seria preso por crime inafiançável.
Renato Silveira
Mas a indústria armamentista entrou com força na campanha, utilizando o argumento de direito à defesa, e bancou, através da imprensa conservadora, uma campanha que virou o jogo, já que as pesquisas iniciais apontavam que o brasileiro iria para o desarmamento e muitos haviam entregue suas armas espontaneamente ao governo.
A pergunta que fica no ar é: que defesa? Durante um assalto em sua residência, sua arma vai estar ao alcance fácil e a tempo de reagir? Essa situação piora se você tiver filhos e quer evitar que eles tenham acesso. Aí, com certeza, ela vai estar escondida. E vai piorar ainda mais se o bandido encontrá-la. Nesse caso, você corre o risco de ficar sem a arma e sem a vida.
Transportá-la no carro também não é atitude sensata. Todos somos passivos de destemperanças, e o trânsito, aliado aos problemas pessoais, pode se transformar num barril de pólvora onde uma simples discussão pode virar uma tragédia.
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No caso de um assalto, é sabido que, ao menor gesto diferente da vítima, os bandidos atiram sem dó. Portanto, não há defesa possível.
Recentemente, uma policial militar à paisana impediu um assalto na porta de uma escola e matou o bandido. Isso gerou nova discussão sobre o direito a defesa. Tratava-se de uma pessoa treinada e capacitada para tal ato.
Se um de nós for tentar fazer o mesmo, com certeza acabaremos fazendo bobagem, acertando em quem não devia ou até mesmo levando um tiro.
O fato é que armas servem para matar. E se não temos a intenção de fazer isso, não devemos ter uma. Deixemos o uso deste perigoso artefato para quem sabe ou para quem está mal intencionado.
Sabemos que a escalada da violência tem deixado a todos muito perturbados e esse estado não é muito bom para o raciocínio. Porém, transformar o Brasil num arremedo de Estados Unidos não é uma boa política.
Já sabemos o que acontece por lá com as armas liberadas, mesmo sendo um povo teoricamente mais desenvolvido.
Imagine isso por aqui!
Renato Silveira é jornalista
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