OPINIÃO > REGINALDO SANTOS: A falta dela é um perigo

Reginaldo Santos
Vivemos falando de política e de corrupção e como ela é usada em todas as esferas, mas esse mesmo povo sofre de um grande mal que é a lei do Gerson, uma brincadeira (ou não) que o ex-jogador da seleção brasileira de futebol usou em um comercial de certo cigarro no ano de 1976, onde ele dizia: “gosto de levar vantagem em tudo, certo”.
O povo incorporou muito bem tudo isso, já que quando fala de corrupção esquece que o corruptor é tão nocivo quanto o corrupto. O indivíduo fica com uns trocados da mercearia e diz que o “otário” do caixa deu dinheiro a mais, ou quando o mesmo cidadão cola na prova da escola e chama o professor de bobo (será que não está invertendo quem é o bobo?), ou quando esse mesmo é parado na blitz da polícia e, com o vidro trincado e documento errado, oferece um dinheiro ao policial que o libera e alivia a multa ou apreensão do veículo. E ainda chama esse mesmo agente de corrupto. Ou quando vai a uma repartição pública e quer um jeitinho para resolver sua pendência, dá um agrado ao servidor e também o chama de corrupto.
Reginaldo Santos
Espera aí, tem uma certa inversão de valores aqui!
A conveniência chega nessa alegação e liberta o corrupto/corruptor cidadão que transfere tudo o que condena para o agente público ou político? Vale ressaltar que esse mesmo político veio do seio de nossa sociedade, portanto é um brasileiro que aprendeu desde pequeno a lei do Gerson e a se dar bem, principalmente quando tiver acesso ao poder.
A ética não ocupa espaço, assim como o saber e a educação, mas está virando artigo de luxo, quase tema histórico e como no título, a falta dela é um perigo para a continuidade da evolução e convivência em sociedade.
O indivíduo critica tudo e todos, mas para o carro em fila dupla com alerta ligado, corta pela direita, anda devagar pela esquerda e acha um absurdo ou manda passar por cima quando alguém pisca o farol para mudar para a faixa da direita. Fura fila, não da o recibo para sonegar o imposto e muito mais.
A conveniência tornou-se algo perigoso, assim como a falta de ética, pois se tiver que legislar em causa própria, a punição ou consciência, não será a melhor opção.
Se você quiser encontrar o verdadeiro culpado por toda essa situação em que vivemos, basta se olhar no espelho.
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