OPINIÃO > EDUARDO PIMENTA: Consumo Colaborativo

Eduardo Pimenta
Crescem no mundo iniciativas de consumo colaborativo, no qual o uso é mais importante que a posse do bem. O conceito baseia-se na busca de formas de compartilhar, trocar e vender produtos ou serviços. A prática vem ganhando adeptos no Brasil e já é difundida em outros países.
São iniciativas para organizar caronas, promover o compartilhamento de carros e bicicletas, ou a troca de moradias para as férias, bem como os sites que fazem intermediação da venda de objetos, ou brechós e as casas de aluguel de roupas.
eduardopimentaO sistema colaborativo, além de trazer economia, traz muitas vantagens, onde as mudanças do comportamento alteram a forma como nos relacionamos com os outros e com a sociedade, e também como os negócios são feitos.
Priorizando o uso e não a posse de bens, a empresa tem que passar a pensar mais em longo prazo. Até em formas de fazer um upgrade nos produtos sem que seja necessário o descarte.
Definitivamente é um mundo novo, que demandará nova postura mercadológica das empresas, que pressupõe transformar produtos em serviços. Este modelo é muito próximo da sustentabilidade.
Pelo lado da empresa é preciso enfatizar a continuidade do uso daquele produto, e pelo lado da sociedade é necessária uma mudança de conceito, com o desafio de resgatar relações interpessoais.
DO MESMO AUTOR
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Este modelo não traz somente redução de despesas e de recursos naturais, mas a necessidade de estabelecer relações de confiança, de respeito. E o compartilhamento não
deve ser só de bens, mas também de experiências.
Isso levará a uma transição de uma sociedade fortemente industrializada para uma sociedade de serviços, e o importante no consumo passa a ser o que dá bem estar, não o valor, a posse.
Os varejistas, que hoje só pensam em vender bens, vão começar a pensar em aluguéis e na prestação de serviços de manutenção. E a demanda por mais serviços significa mais empregos e menos uso dos recursos naturais.
Isso cria mais opções sustentáveis e permite que as pessoas tenham acesso a coisas de que precisam, sem acumular material. Possibilita o melhor uso do que temos e também limita a quantidade de coisas que compramos, o que gera impacto nos recursos naturais.
Esta mudança de valor que está em curso começa quando você entende que é mais conveniente compartilhar ou trocar do que comprar coisas novas todo o tempo. E se intensifica quando se percebe que há efeitos positivos, tanto para o meio ambiente como pelo lado financeiro.
Quer fazer parte dessa transformação benéfica da sociedade e do ambiente? Participe da vanguarda dos acontecimentos praticando iniciativas de consumo colaborativo.
Eduardo Pimenta é biólogo
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