OPINIÃO > EDUARDO PIMENTA: A carne é fraca

Eduardo Pimenta
Nos países em desenvolvimento, investidores externos estão se acotovelando para garantir o acesso à terra para a produção de alimento, e a preocupação com o meio ambiente coloca o agronegócio no centro das atenções dos debates ambientais. Entretanto, há outras questões indispensáveis em torno da sustentabilidade e segurança alimentar que devem ser consideradas.
Aprendi que o meio é quem molda e até define o destino dos seres, dos indivíduos, que somos produto do meio e a sociedade é resultado de grandes mudanças que tiveram início a partir do surgimento das tecnologias e da globalização da informação, que produziu novas formas de pensar, agir e se comunicar.
Eduardo Pimenta
Um dos impactos humanos mais generalizados sobre o planeta é a agropecuária, devido ao seu crescimento alcançado pela intensificação da produção, e não necessariamente pela expansão das fronteiras agrícolas e consequente tomada de mais terras da natureza, o que possibilitou a sobrevivência de muitos biomas ameaçados, no entanto, o impacto ecológico dessa intensificação foi significativo.
Pois parte dessa produtividade foi alcançada com o uso de grandes quantidades de insumos impactantes. Um dos principais motivos dessa intensificação é o consumo diário insustentável de carne pela humanidade, que passou de 34 quilos por ano para 43 quilos hoje, creditando á pecuária uma contribuição de 18% das emissões mundiais de gases de efeito estufa.
Seja sobre a derrubada das florestas naturais para a produção de pastos ou sobre os recursos hídricos onde são despejados os dejetos dos animais, contaminando com bactérias e vírus as águas, que por fim chegam ao mar, provocando uma disseminação descontrolada de algas que, quando se decompõem ao final de seu ciclo de vida, causam desequilíbrio sobre a biodiversidade.
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Por conta do sistema convencional de produção, estamos consumindo proteína animal com elevado índice de hormônio e antibiótico que comprometem nossa saúde. Hormônio para que o animal cresça rápido e gere lucro; e antibiótico para combater doenças disseminadas pelo confinamento. Um frango que solto no terreiro leva até seis meses para o peso de abate, confinado é abatido em 43 dias.
Não há nada cientificamente que comprove que temos que comer carne todos os dias e os impactos desse ato sobre a saúde humana, animais e meio-ambiente vêm provocando uma reflexão sobre as suas consequências. Podemos sim reduzir o consumo de carne em nossa dieta, mesmo porque, muitas doenças graves são atribuídas a esse fato.
Para atender a essa demanda, os frigoríficos abatem cruelmente os animais, que passaram a ser tratados como coisas e não como seres vivos, capazes de sentimentos. Apesar da evolução da legislação ambiental brasileira, ainda não existe uma lei geral que conceitue o bem estar dos animais e defina os maus tratos.
A quem interessa o consumo diário de carne? Aos donos de frigoríficos, aos planos de saúde e às indústrias farmacêuticas que enriquecem com este preconceito. Mesmo que a decisão da sociedade não seja parar de consumir carne, pode ser feita uma redução desse ato. Trazendo benefícios para o planeta e para a saúde humana, como também, para os animais.
Alguma vez você já pensou na trajetória de um bife antes de chegar ao seu prato? Pesquise e descubra o que não é divulgado a esse respeito. Você vai se chocar.
Quer saber mais? Veja o documentário ‘A Carne é Fraca’ no Youtube.
Eduardo Pimenta é biólogo
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