Onde estão os “defensores dos pobres, oprimidos e injustiçados”?

Para Cabo Frio a resposta é “Não estão”. Aqui, o prefeito Alair Corrêa mantém-se no poder há mais de 20 anos porque é, politicamente, mais competente, mais hábil, mais astuto, melhor negociador do que todos os seus adversários combinados.
Admitido isso é até grotesco alguém falar, nesta cidade, neste tempo, sobre “ditadura militar”. O discurso é um cansativo blá-blá-blá.
Uma notícia como, “Fulano decidiu fazer oposição à Alair” não tem significado. O prefeito sabe que pode proclamar sua inexistência como político. O que diz não tem repercussão. Assim sendo, o projeto que resultaria na remoção das 200 famílias no Lido, comunidade na cidade, depende, exclusivamente, da vontade do prefeito Alair Corrêa. Essa é a realidade nua e crua.
O artigo de Niete Martinez nesta revista, “Moradores do Lido se reúnem para discutir possível remoção da comunidade”, resume a questão. Trata da remoção sumária de 200 famílias que ocupam uma área conhecida como Lido, que lá está há mais de 100 anos. Certamente haverá reação se o projeto for aprovado e as casas começarem a ser demolidas. Um “prato feito” para a campanha eleitoral em 2016. Após isso, cessa.
O mais impressionante é o argumento da construtora: o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o IPHAN e a prefeitura estabelece como condição o repasse de R$6 milhões para que a prefeitura faça a remoção da comunidade de pescadores. Não especifica para onde. Não especifica se seriam oferecidas casas, se seriam indenizadas. Isso dá R$30 mil por família. Pressupondo quatro pessoas por família, subtraindo-se R$1 mil como valor de pertences que seriam, naturalmente, perdidos, mais os lucros cessantes da atividade de pescador, chega-se a R$4 mil, preço de um ser humano naquela comunidade.
Morador no Lido é dispensável. Como foram os pescadores de colônias em Búzios, Arraial, São Pedro, Iguaba, etc. Como foram os das colônias nas praias do Siqueira, Cabo Frio.
Talvez surja, no Lido, uma luz no fim do túnel: a organização de uma associação de moradores e, a partir daquele momento, por conta própria, lutar por seus direitos.
Aguardar que possíveis defensores decidam ajudá-los é o mesmo que esperar pelo nada.
Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
16/07/2015

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