O submarino afundou

Em terra. Caiu num buraco negro e, SMJ, ficará lá. Em compensação o leitor pode encontrar várias dezenas de trabalhos técnicos que tratam do malogrado esforço, que se iniciou no governo Geisel (1974-79) e continua.

Lá se foram 41 anos e nada de submarino. A última notícia que se tem é essa da prisão do almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva que começou a “tocar o barco”, digamos assim, em 1978 e que agora está preso em Curitiba, tornando-se réu em uma variação de Operação Lava-Jato.

A vida de Othon e de vários outros estão ligadas ao projeto do submarino e, também, à construção da Usina Nuclear 3, em Angra dos Reis. Nadaram, nadaram e morreram na praia.

É uma história complicada já que Geisel resolveu separar os projetos das usinas do projeto para o submarino. Este entrou na clandestinidade no contexto do Projeto Nuclear da Marinha.

Uma tentativa de descobrir quem é quem e quem faz o quê em cada projeto fracassa. O que importa aqui é saber se o submarino sairá da prancheta e se tornará realidade. Possivelmente não.

Mesmo que Othon seja absolvido ou condenado para depois se defender em liberdade, nada voltará a ser o mesmo. Está com 76 anos e é duvidoso que queira voltar a se envolver com o projeto.

A condição de clandestinidade significou o uso de verbas secretas e possivelmente nunca se saberá quando dinheiro foi enterrado na aventura.

Devemos atinar para o que estava e continua a acontecer, imaginando se o Brasil se envolvesse numa guerra: há mais de 40 anos se tenta construir um submarino atômico e o treco não vai para a prateleira. Imagine-se se precisássemos de cinco deles. A coisa é assemelhada ao satélite que se tentou lançar em Alcântara, MA. Foi tudo pelos ares numa explosão matando os 22 técnicos empenhados na aventura.

Por quanto tempo continuaremos a nos meter em aventuras que exigem conhecimentos científicos e técnicos?
Seria melhor comprar de alguém que sabe o que fazer.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
04/09/2015

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