O “Quem manda sou eu.”

Solicitado a esclarecer sua posição a seguinte nota seria distribuída pelo deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara:

1) Embora seja membro do PMDB, partido da base do governo, que ajudou a eleger a presidenta Dilma, sendo dessa forma me beneficiado para minha eleição, comunico que decidi fazer oposição ao governo a partir de 14/07 por entender que estou sendo perseguido pelo governo, de um modo geral, e pelo PGR Rodrigo Janot que pretende incluir meu nome na lista de parlamentares que teriam se beneficiado da roubalheira na Petrobrás.

2) Comunico aos meus 208.708 eleitores que não lhes resta alternativa a não ser apoiar todas as minhas decisões uma vez que me elegeram para representá-los por saber, exatamente, o que é bom para cada um deles.

3) Comunico que decidi, em 10/07, retirar a atribuição da AGU de defender a Câmara de Deputados, rompendo o convênio entre as duas instituições. Essa decisão decorre do fato de ter o Advogado Geral da União desobedecido minha ordem para solicitar que o STF devolva à Câmara todos os documentos que foram apreendidos durante o cumprimento de uma ordem de busca e apreensão, pela PF, documentos esses que podem comprometer minha posição vis-à-vis a roubalheira na Petrobrás e, ainda, a alegada exigência que eu teria feito a um empresário de me pagar cinco milhões de dólares. Tais documentos não poderiam ser apreendidos sem meu conhecimento e expressa autorização.

4) Esclareço que a pauta de cada sessão da Câmara de Deputados é elaborada e aprovada pelo Colégio de Líderes, sem minha intervenção ou influência. Ocorre, porém, que como presidente da Câmara compete a mim, exclusivamente, ordenar os itens da pauta ou nela incluir ou excluir itens de modo a considerar, apenas, aqueles que eu julgar mais relevantes. Se porventura algum item for aprovado de acordo com o regimento, não posso ser responsabilizado caso venha a causar um aumento dos gastos dos governos federal, estadual e municipal. Essas pautas que estão sendo nominadas de “pautas-bomba” decorrem da incompetência da base do governo na coordenação da votação de cada item das pautas e, ainda, da minha responsabilidade de rejeitar a votação de qualquer emenda que altere o teor de itens, em votação, particularmente aqueles dos quais resultem aumentos de gastos.

5) Informo que o acordo preliminarmente firmado entre o Poder Executivo e o Senado Federal, em 10/07, será rechaçado na Câmara de Deputados, uma vez que sendo nosso Poder Legislativo bicameral o acordo não poderia ser firmado sem prévia consulta a mim, sem minha participação e tácita aprovação. Enfatizo que me empenharei para que as medidas propostas no acordo, e que já tramitam no Congresso, sejam derrotadas.”
Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
11/08/2015

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