O PT estava indo para a UTI (Ed. 02/05)

Caíram na armadilha do Cunha. A Operação Lava Jato iria colocá-lo em estado vegetativo. Como é que Temer vai governar sem o Senado por 180 dias? É burrice demais. A crise irá se aprofundar.

PSDB, PMDB e DEM esqueceram o ensinamento de Maquiavel: “se quiser fazer o mal, faça-o por inteiro”.

O governo deveria ter a oportunidade de acolher as medidas propostas pela oposição, sem o trauma de uma análise da validade de pedido de impedimento. Não fruiriam efeito e a oposição poderia continuar a clamar incompetência do PT. O mal (apontamento das deficiências do governo do PT) se aplicaria por inteiro ao longo dos próximos dois anos e meio.

Foi um erro o PSDB, PMDB e DEM comprarem a briga da “Joana ´Janaína d´Arc´”. Nada a ver.

Os 180 dias de governo Temer serão de continuadas dúvidas com respeito à possibilidade de se manter, continuadamente, as medidas que vier a propor. No caso da presidenta Dilma ser absolvida no Senado, Temer volta a ser vice, seu ministério derreterá e a oposição ficará “sem pai nem mãe”. O PMDB se ajoelharia diante de Dilma pedindo para votar a fazer parte da base do governo. Sem isso os ministérios cairão nas mãos dos pequenos partidos

Com Temer na presidência será criada uma enorme dúvida: poderá Eduardo Cunha assumir a presidência nos casos de afastamento temporários de Temer, em viagens por exemplo? O STF seria inundado de mandatos de segurança para evitar essa possibilidade. O País continuaria parado em meio a insegurança política somada à insegurança jurídica.

A aposta de Temer é uma aposta arriscada para quem a bancar. Aqueles que ao longo dos 180 de um possível afastamento de Dilma ficarão em posição difícil se a presidenta for absolvida.

Tem-se nessa circunstância a legitimidade dos atores. Por exemplo, se Meirelles aceitar fazer parte do governo Temer durante 180 dias, como ministro da Fazenda, de que modo poderia legitimar sua permanência num governo Dilma se esta for absolvida?

Vale a pena se “queimar” num governo que poderá ter “morte súbita” depois de 180 dias de sua instalação?

Ou seja, o “mal” não terá a oportunidade de influir no destino do governo do PT, que da UTI irá para o “quarto”. Uma vez lá irá manter a pressão nas ruas e no campo, recuperando forças, se rearticulando.

Não seria uma situação que a atual oposição desejaria. O pedido de afastamento da presidente poderá ser mais a seu favor do que contra. Criou-se um ambiente mais instável do que o que se tinha até o pedido. A Câmara de Deputados está inerte por orem de Eduardo Cunha e continuará assim pelos próximos 180 dias se Dilma for a julgamento perante o plenário do Senado. O que acontecerá se Dilma for absolvida? O que fará Eduardo Cunha?

O pedido de afastamento da presidenta interrompeu o declínio do PT, que estava indo rumo ao estado vegetativo por conta da Operação Lava Jato. Agora está indo para um retiro, recuperando o fôlego, se rearticulando com grupos como o CUT, MST, MST, etc. Isso não será bom para a atual oposição, numa composição instável como se nota. Todos os que estão disponíveis, politicamente, se comprometem a “colaborar”, “aconselhar”. Macaco velho não põe a mão em cumbuca.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
29/04/2016

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