O PT está só

O mais visceral antipetista não deveria aceitar as manobras dos que estariam participando de uma Segunda “Revolução dos Covardes”, liderada pelo deputado Eduardo Cunha, em proveito próprio, visando o impedimento da presidenta Dilma.

A gravidade das crises política e econômica ultrapassa os limites dos conflitos, naturais e esperados, que resultam dos esforços que cada partido político empreende na conquista e manutenção de políticas que visam a melhoria do desenvolvimento em todos os tipos de atividade identificados na sociedade brasileira.

Tornaram-se irrelevantes as diferenças que geram os conflitos. Tornaram-se irrelevantes as ações que justificaram as denúncias do PGR, enviadas ao STF, envolvendo 47 parlamentares, a esmagadora maioria do PT e do PMDB e, também, do PP. Tornou-se irrelevante se os recursos utilizados pelo PT, principalmente, e pelo PMDB, tenham tido origem ilícita. É, inclusive, duvidoso, que outros partidos também não tenham feito uso de recursos igualmente ilícitos ou feito uso de recursos não contabilizados, ou seja, intencionalmente, com criminoso dolo. O caso do PT se destaca pelo volume daquele tipo de recurso do qual fez uso na campanha da eleição da presidenta Dilma.

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Mas, não se encontrariam inocentes se uma investigação fosse empreendida e que fosse capaz de separar o joio do trigo, o recurso ilícito ou não declarado, no mínimo ilegal, examinando as contabilidades de todos os partidos políticos, do lícito.

Todas essas coisas são detalhes diante do propósito dos que conspiram nessa Segunda “Revolução dos Covardes”. O que está em jogo são o sistema e regime democráticos duramente conquistados, independentemente da orientação ideológica de cada brasileiro e da maneira como o fez.

Concordar com o movimento que levaria ao afastamento da presidenta Dilma é concordar com a ideia de que haveria um futuro “melhor”, “mais adequado”, do que o presente que vivemos. É uma aposta em que não se dispõe dos fatos portadores daquele futuro, mesmo porque na qualificação dos sistema e regime democráticos não é possível qualificá-los vis-à-vis as peculiaridades, os hábitos, usos e costumes de um agregado populacional, no caso o Brasil. O que importa é que esses hábitos, usos e costumes sejam orientados pelo Estado de Direito Democrático. É essa condição que deveríamos nos empenhar para manter.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
08/12/2015

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