O otimismo de Chico Buarque

“Acredito que a esquerda irá se unir”, disse ele no domingo, 02/10, dia das eleições municipais. “Se não agora, no segundo turno”, acresceu, “tanto no Rio como em São Paulo”, detalhando.

Chico, uma “celebridade”, deve ou não ser levado em conta? Por definição, qualquer declaração de uma “celebridade” é, sempre, “brilhante”, podendo ou devendo até mesmo ser considerada, no caso, como uma profecia. A coisa se torna mais dramática levando em conta que lá estava ele, na galeria do Senado, sentado ao lado do ex-residente Lula acompanhando os debates no dia da votação final do impedimento da ex-presidenta Dilma. Quer-se mais distinção do que isso para uma “celebridade”?

Posta a questão, em se decidindo que devemos refletir, alguns detalhes, aparentemente secundários, deveriam ser examinados.

Primeiramente, a declaração teria sido fruto de longa e profunda análise das conjunturas políticas em São Paulo e no Rio ao longo das semanas que antecederam as eleições. Chico teria entendimentos superiores das duas realidades, até das diagnosticadas por empresas especializadas em pesquisas eleitorais. Sua análise, portanto, o levou a garantir a passagem para o segundo turno de Marcelo Frecho (PSOL) de quem é considerado o principal cabo eleitoral. Mas, seria isso um fato ou mero palpite de mau perdedor?

Chico, com sua “brilhante” declaração, poderá até estar certo, mas o que perturba é não haver como descobrir onde estava nos últimos dois anos. O que quer dizer quando se refere à “esquerda”? Da maneira como fala estaria resumindo a realidade brasileira inserida em dois campos: um, a tal “esquerda” e outro num “resto” ou num “eles”. Mas, afinal, o que isso significaria? O que é ser de “esquerda”? Que conjunto de idéias, pressupostos, planos, programas e projetos teria essa “esquerda” que a diferenciaria sem margem para dúvidas, dos pressupostos, planos, programas e projetos daquele “resto”, daquele “eles”?

Se Chico se refere à “esquerda” que abocanhou o poder para se apropriar, de todas as maneiras possíveis e inimagináveis, como estamos testemunhando serem, afinal, imagináveis, então só se poderá chegar à conclusão de que a cambada de pilantras que, confessadamente, usaram suas posições no âmbito dos governos de “esquerda” para enriquecerem, deveria ser liberada das prisões, ovacionadas, condecoradas e reconduzidas aos cargos dos quais teriam sido, injustamente, afastados.

O livre arbítrio nos permite fazer escolhas. Haverá aqueles que entenderão a mensagem de Chico. E haverá aqueles que, perceberão que Chico Buarque nada mais é do que um pretensioso intérprete da realidade nacional, fervoroso defensor de vigaristas e vagabundos que durante mais de 13 anos, vergonhosamente, mentiram para o País.

“Lobão, 59 anos, cantor, numa entrevista para a revista Isto É comentou o otimismo de Chico dizendo, “Ele come capim”. Pergunta-se, o que impediu Lobão a perceber isso durante mais de 11 anos?. Talvez, quem sabe, plantando capim?

Ernesto LindgrenCIDADE ONLINE
23/10/2014

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