O lulismo se esgotou

Como o getulismo, substituído por um governo Temer-ário, apoiado por quem seria o mais sórdido político contemporâneo, o deputado Eduardo Cunha. Eles se merecem. 

Quando um cão morre, carrapatos e pulgas pulam fora.

Para uns a presidenta Dilma cometeu um crime de responsabilidade. Para outros trata-se de uma tecnicalidade. Os primeiros estão em maioria, mas seriam carrapatos e os segundos, sendo pulgas, são levados pela avalanche no salve-se quem puder.

Enquanto teve fôlego o lulismo se sustentou, mas já no primeiro governo Dilma, tanto carrapatos como pulgas perceberam que já havia pouco sangue para a todos sustentar.

Situação e oposição são responsáveis pelo esgotamento do projeto petista. Não há essas noções ou conceitos de “ser governo” e “não ser governo”, numa democracia representativa. O Poder Legislativo é governo e ponto. O que há é se ter um dado partido no comando do Poder Executivo onde, geralmente, participam membros de partidos de uma chamada “oposição”.

Aconteça o que acontecer no domingo, 17/04/2016, o lulismo, esgotado, dificilmente conseguirá que Dona Dilma consiga governar caso o processo de impedimento seja encerrado na Câmara ou a presidenta seja inocentada num julgamento no Senado.

Acabou, mas seria mais tranquilo se a presidenta Dilma fosse mantida e se tivesse tempo para “arrumar a casa” no tempo que ainda lhe restaria. Mas, para isso, essa “oposição” que se anuncia “não ser ou fazer parte do governo” iria continuar a “tirar o corpo fora” e desarrumar o que a “situação” conseguisse arrumar. Já está acontecendo agora: o ministro da Fazenda conseguiu que o STF reduzisse em 80% a dívida de dois estados da federação, mas ninguém está prestando atenção a isso. O Rio de Janeiro, por exemplo, está falido, mas a tal “oposição” não está interessada em aproveitar essa “arrumação” conseguida pelo governo. Na cabeça da “oposição” admitir participar nessa “arrumação” seria um ato de “traição” aos seus objetivos.

De qualquer forma, com Dilma ou com Temer, o País terá que se reorganizar politicamente. Teremos uma “briga de foice no escuro”.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
13/04/2016

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