O fracasso de Alair Corrêa

Sua nota de 10/01/2016 repercutiu Brasil afora. Deveria ser considerada de uma singular baixeza. Diante da crise atrapalhou-se e teria se acovardado. Deveria renunciar: “Reconheço ser incapaz de cumprir minhas obrigações e renuncio ao mandato de prefeito do município de Cabo Frio”. Mas, preferiu punir seus secretários e fi

Não seria merecedor de a ele ter dedicado Rudyard Kippling seu poema “Se”, no seu início lendo-se “Se  és capaz de manter a tua calma…” e, no  final “Se és capaz de dar, segundo por segundo, ao minuto fatal todo valor e brilho…”. 

O prefeito projeta, desde o início de sua carreira política, uma sombra muito maior do que sua estatura física. Seia um nanico político, uma farsa titubeante. 

Seria mais honroso renunciar do que usar o que chamou de “crise avassaladora” para justificar seu fracasso.

O anúncio do prefeito retrata um incompreensível ato de irresponsabilidade política e administrativa. Poderia até mesmo resultar numa intervenção como estipula o artigo 35 da Constituição Federal de 1988.

Alair Corrêa jogou fora a bandeira que alegava carregar. Até o mastro se foi.

Mais de cinco mil e quinhentos prefeitos jamais usaram uma crise, até piores da que se identifica em Cabo Frio, para tomar a decisão que Alair Corrêa tomou. É a primeira vez na República em que um prefeito confessa ser incapaz de cumprir a lei orgânica que rege o município onde foi eleito.

Imagine-se todos os prefeitos dos 5.570 municípios brasileiros tomando a mesma decisão, no mesmo dia 10/01/2016. Imagine-se os governadores das 27 UF repetindo o gesto. Imagine-se a presidenta da República anunciando a exoneração de todos os seus ministros e respectivos secretários-executivos.

A segunda-feira, 11/01/2016, será de incertezas, de caos, de perguntas que ficarão sem respostas. Poder-se-ia fazer analogias. O anúncio da exoneração de todos os secretários municipais seria como o piloto de um avião anunciando que seu copiloto, engenheiro de navegação e toda a tripulação devem abandonar a aeronave em pleno voo e avisar aos passageiros que está sem combustível.

A melhor opção para Cabo Frio é que o Sr. Alair Corrêa renuncie, pegue sua trouxa e desapareça. Que não mais nos envergonhe com sua presença.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
10/01/2016

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