O desfile

Corrupção estatal, no Brasil, é auto-imune e o desfile de casos de corrupção escandaliza pelas quantias envolvidas. O atual caso em destaque é a apropriação de verbas, por dirigentes da Confederação de Desportos Aquáticos, que totalizam R$40 milhões. Perto do caso da Lava Jato isso é trocado de bolso.

A coisa está escrustada na estrutura do Estado. Na Nação a situação deve ser vista como problema em famílias. Enrte nós, na Nação, o Estado não se mete, a não ser que se torne caso de polícia.

Na estrutura estatal, em todos os níveis, o caminho para a corrupção é do conhecimento dos escalões mais baixos. O “caminho das pedras” sobe, por osmose, até chegar a um ministro, por exemplo. Se o sujeito é propenso à receber ganhos indevidos, ele aceita, por exemplo, várias caixas de vinho onde cada garrafa custa R$1 mil reais. É o sujeito que chega em casa e pergunta, surpreso, “de onde veio isso?” e o empregado responde “não sei doutor”. Ouvindo isso o ministro vai para seu quarto, toma um banho, desce, senta à mesa para jantar e pede, “Onofre, me traga uma garrafa de vinho daquelas caixas que alguém deixou aqui”. Pronto. Se algum dia alguém questionar, o ministro pode dizer “não sei, não vi”, mesmo porque quem recebeu as caixas de vinho foi o Onofre e não ele.

O Estado copia, e muito, comportamentos observados na Nação. Um técnico de futebol é demitido e é substituído por outro. Um jogador é substituído por outro. E assim a coisa vai.

Os promotores em Curitiba estão acusando Lula como o chefe do esquema da Lava Jato. Teriam se equivocado: o que aconteceu é que Lula deveria ter ficado mais atento ao que ocorria a sua volta. Se de repente aparece um depósito de R5 milhões em sua conta bancária, não poderia se comportar como o ministro e as caixas de vinho. Como não reagiu, mandou uma mensagem para os escalões inferiores. Agora, os marqueteiros de suas campanhas e da ex-presidente Dilma, estão dizendo que passaram vultuosas quantias para serem usadas sem o devido registro. Como disse Emílio Odebrecht, “Lula era um bom vivant”, o que significa que se R$5 milhões aparecem na sua conta bancária, se ele pergunta ou não qual sua origem, o que vale é o que vai fazer com aquele dinheiro, tal como o ministro pede a garrafa de vinho de origem não identificada.

Quando essa encrenca da Lava Jato e casos assemelhados terminarem, a Nação se engana se imagina que não se repetirá,

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
18/04/2017

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