O Brasil precisava dessa crise

Como comprovante da degradação do Estado de Direito e um ambiente de “depravação política” que deve se encerrar em 31/12/2017. Seria desastroso o impeachment da presidenta Dilma. É imperativo que essa depravação, iniciada em janeiro de 2003, se autoconsuma para não deixar vestígios.

Luiz Inácio Lula da Silva não desistiria se não fosse eleito em 2002, dedicando-se a infernizar a vida de José Serra ao mesmo tempo em que o bando de corruptos que o cercaram com a fundação do PT, em 1985, atuariam na busca de métodos de corromper a máquina estatal.

Eleito, aquele bando institucionalizou a corrupção, ou seja, governar, para o PT, passou a significar utilizar os recursos financeiros alocados às atividades estatais em favor do fortalecimento do partido o que, como corolário, resultou no enriquecimento ilícito de alguns de seus membros e, também, de membros de partidos aliados.

É certo que o lulapetismo faz uso de métodos tradicionais de delapidar o Estado que, segundo alguns, foram usados ao longo dos governos de FHC, um exemplo concreto sendo o caso do então presidente do PSDB que se deixou corromper pelo mesmo operador do atual escândalo do Petrolão. Parece não haver dúvida de que o então senador Sérgio Guerra foi subornado por Alberto Youssef aceitando receber uma propina de R$10 milhões para evitar a criação de uma CPI cujo propósito seria investigar a Petrobrás. Nessa história o que não se tornou público foi o autor da solicitação para que a propina fosse paga, o que provavelmente ocorrerá ao longo do aprofundamento das investigações na Operação Lava Jato, criando, possivelmente, sério embaraço para o PSDB. Considerado esse episódio seria válido inferir que a “depravação política” que caracterizaria a atuação do PT é, também, característica do PSDB. Nesse contexto, uma decisão do TSE que impugnasse as eleições de Dilma Roussef e Michel Temer, ao que se seguiria uma nova eleição quando o senador Aécio Neves lograria eleger-se presidente, resultaria de uma troca de seis por meia dúzia. Essa estranha identificação entre PT e PSDB era o que fazia com que a ex-senadora Heloisa Helena vez por outra comentasse a existência de uma relação de amor e ódio entre os dois partidos: identificavam-se na “depravação política”.

Com menos de um ano no exercício de seu segundo mandato a presidenta Dilma convive com uma conjuntura sobre a qual exerce pouca ou nenhuma influência. Na Câmara dos Deputados algo similar acontece, presidida por um deputado (Eduardo Cunha) que pareceria estar mais ansioso em criar dificuldades para a presidenta do que conduzir os trabalhos de modo a encontrar caminhos que facilitariam o rompimento do nó que amarram duas crises, a política e a econômica, impedindo a remoção dos entraves que paralisam o País. Sua influência no desenrolar dos confrontos políticos pareceria ser tão inócua quanto a da presidenta, chegando-se ao ponto em que o ex-presidente Lula se autodesignou como conselheiro sem que o presidente da Câmara pudesse ter a oportunidade de impor a autoridade que lhe é concedida pelo cargo que ocupa.

Os poderes Executivo e Legislativo estão fora de controle do que resulta uma conjuntura quase que impossível de ser domada. Os “pacotes” econômicos se sucedem, alguns tendo o efeito de anular as propostas incluídas em outros. É o caso, por exemplo, da proposta reativação da CPMF, imposto que afetará mais duramente aqueles que se beneficiam de programas sociais que promovem a distribuição mais justa da riqueza nacional.

O Estado de Direito degradado se ao ambiente de “depravação política”, gerando um cenário de caos que se torna, a cada dia, mais conturbado e desafiador.

O País carece de um estadista.

Ernesto Lindgren

CIDADE ONLINE

18/09/2015

 

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