Número de produtores orgânicos aumenta 10 vezes em três anos no Noroeste Fluminense

Número de produtores orgânicos aumenta 10 vezes em três anos no Noroeste Fluminense
Número de produtores orgânicos aumenta 10 vezes em três anos no Noroeste Fluminense

Número de produtores orgânicos aumenta 10 vezes em três anos no Noroeste Fluminense

Região pode ganhar versão do Circuito Carioca de Feiras Orgânicas

Temperaturas elevadas, solo desgastado, falta de chuva e de mão de obra. Mesmo longe das condições ideais para qualquer plantação, resultados surpreendentes vêm sendo obtidos no cultivo de alimentos orgânicos no Noroeste Fluminense, região do estado com maior quantidade de terras degradadas. Há três anos, apenas nove agricultores vendiam produtos orgânicos. Hoje, 89 são credenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para realizar essa atividade – um aumento de mais de 10 vezes.

A movimentação do setor e a adoção de práticas agroecológicas são resultados do trabalho da Rede de Pesquisa, Inovação, Tecnologia e Serviços Sustentáveis – mais conhecida como Rede de Agroecologia. O grupo, coordenado pela Pesagro-Rio, conta com a participação de órgãos públicos e privados, como MAPA, Embrapa, Sebrae, Cedro (Cooperativa de Consultoria, Projetos e Serviços em Desenvolvimento Sustentável) e Emater-Rio.

Nos últimos três anos, a Rede de Agroecologia identificou e capacitou produtores que queriam substituir a produção convencional – com uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos – pela cultura orgânica, que utiliza processos naturais de nutrição vegetal. No Noroeste Fluminense, o destaque é a produção de hortaliças.

Certificação

Um alimento cultivado sem agrotóxicos ou adubos químicos não é, necessariamente, orgânico. O Ministério da Agricultura estabelece normas de produção para a concessão da certificação orgânica, entre elas, o uso de adubação natural e a construção de barreiras entre propriedades rurais, a fim de evitar que produtos químicos sejam espalhados pelo vento e atinjam lavouras orgânicas.

A certificação é importante para garantir ao consumidor a segurança na qualidade dos produtos que ele adquire. No caso dos agricultores familiares que fazem a venda direta ao consumidor, os produtos não precisam ter, obrigatoriamente, um selo. No entanto, para que os produtores provem a autenticidade dos alimentos – espécie de declaração de produção orgânica –, eles precisam fazer parte de uma Organização de Controle Social (OCS), entidade credenciada junto ao MAPA.

A organização é administrada pelos próprios produtores que, por meio de visitas às lavouras, fiscalizam uns aos outros, para observar se a legislação está sendo cumprida. No Noroeste, existem 11 dessas organizações. A comprovação garantida pela OCS também é importante para que os agricultores familiares orgânicos acessem programas institucionais de comercialização de alimentos, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do governo federal.

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