Ninguém segura esse País

 

 

 

 

 

 

 

Não pelas mãos dos personagens em evidência.

FHC propôs duas alternativas para Dona Dilma: renúncia ou pedido de desculpas. Soaram como alternativas de caso em Juizado de Pequenas Causas. Poderia ter sugerido “renúncia ou duas cestas básicas”. Como Dona Dilma poderia querer imitar Getúlio Vargas e dizer “Só saio daqui morta”, FHC poderia, então, sugerir “suicídio ou um ano coletando lixo”, “licença não-remunerada ou seis meses trabalhando na portaria do Palácio do Planalto”.

O senador Serra já apresentou várias propostas, encerrando a apresentação do sumário de cada uma afirmando ser “A única solução para resolver, simultaneamente, as crises política e econômica”. Não se deve estranhar: as propostas são variações sobre um mesmo tema, ou as traduções em idiomas distintos da mesma proposta. Parte do zero, o raciocínio se estende e retorna ao ponto de partida.

O senador Aécio Neves apresenta o que pareceria ser um discurso decorado. Olhos fixos num ponto no infinito nos fala sobre estado de direito, democracia, respeito ao legado do avô, etc. O corpo se move com pequenos movimentos, reflexo da mudança de posição dos pés como faz alguém repetindo cada parágrafo do que foi devorado. Para cada novo parágrafo, um pequeno movimento do corpo. Não haveria tradução do que diz e pareceria ser impossível interpretar o que propõe.

O presidente da Câmara de Deputados, deputado Eduardo Cunha, de visivelmente indignado e acusando o governo e o PGR de terem tramado para que fosse denunciado ao STF, agora se diz “sereno” uma vez que seu caso foi para o Poder Judiciário. Isso como se pudesse ir para qualquer outro lugar. Compromete-se a “não retaliar quem quer que seja” como resposta à denúncia, como se 203 milhões de brasileiros estivessem com pernas bambas e roendo as unhas aguardando saber o que o deputado poderia fazer. É como se tivesse dito “Eu sou a força”, mas serei gentil com meus súditos.

Um fato peculiar não estaria sendo considerado. As coligações permitidas entre partidos poderia ter resultado numa contaminação do dinheiro sujo do PT, caso o TSE consiga provar que os recursos para a campanha da Dona Dilma contêm dinheiro roubado da Petrobrás e de outros órgãos públicos. O que aconteceria com os parlamentares, eleitos por outra legenda que não o PT e que tivesse aceitado recursos sujos do PT? Se provado, haveria razão para o TSE impugnar a chapa Dilma-Temer. E as outras, decorrentes de coligações com o PT?

Enquanto essas coisas não forem resolvidas, que maneira há de se segurar esse País?

Não pelas mãos dos personagens em evidência, como os acima citados e aliados, nem pelas mãos dos que alardeiam estar tudo bem no atual governo, incapazes de admitir os erros cometidos em 12 anos de permanência do PT no governo. Sabemos todos que não está.

Não pelas mãos dos merecedores da Ordem do Mérito da Canalhice que exibem nas redes sociais seus níveis de imbecilidade espalhando boatos que promoveriam uma intervenção imediata da qual resultaria o afastamento da presidenta Dilma. Entre essas a mais estapafúrdia, que seria a ameaça feita pelo presidente da Venezuela de invadir o Brasil.

Não, portanto, pelas mãos dos que se ocupam em descrever o País como pequeno e incapaz, acentuando seus defeitos e negando-se a colaborar na busca de soluções. 

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
24/08/2015

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