Não se cutuca fera com vara curta

Marcelo O. agora é réu. Sua defesa poderia apresentar outra resposta. “Temos a informar: 1) PF se refere a Prato Feito em “trabalhar para parar/anular (dissidentes PF…)“. É um lembrete para desestimular pessoas que almoçam com Marcelo e se opõem a fazer refeições em boteco que oferece Prato Feito. 2) As anotações contidas em telefone celular foram a si mesmo dirigidas; dessa maneira assegurava-se de ter a mensagem nos itens “Enviados” e “Caixa de entrada”. 3) “Higienizar apetrechos MF e RS” significa ‘limpar as selas de cavalos que Márcio Araújo e Rogério Araújo usaram e que caíram na lama quando foram visitar a fazenda de Marcelo para verem suas vacas”.

E assim por diante. Seria uma prestação dos esclarecimentos solicitados, expurgados os comentários que nada têm a ver com o pedido. O único que seria válido é a alusão a um suposto “reality show” em que a Operação Lava Jato teria se transformado. De fato, seria interessante que os depoimentos fossem transmitidos pela TV Justiça para que o Brasil pudesse assistir os depoimentos dos vagabundos que já confessaram terem desviado dinheiro da Petrobrás, enriquecendo ilicitamente e provendo o caixa dois de partidos políticos e um bando de políticos da mesma laia. Mas, os advogados de Marcelo O. optaram por outra estratégia e teriam “cutucado fera com vara curta”.

O Juiz Sérgio Moro é o dono da bola no jogo em que participam “desa-forados”. Como sabe qualquer um que participou de “peladas” o que não se deve fazer, caso queira participar do jogo, é dizer desaforos ao dono da bola. Mas foi isso o que os advogados de Marcelo O. fizeram.

As explicações em “economês” já são um martírio para que quem procure entendimento do que chamam de “Contas Nacionais” e, agora, somos submetidos aos argumentos tortuosos do “advogacês”, idioma onde as palavras têm significado diferente do que se encontra em dicionários.

Em lugar de escrever “Meu cliente está preso há mais de um mês, sem provas”, prefere-se escrever “Desde a prisão do peticionário, há mais de um mês, teve início a caça a alguma centelha de prova que pudesse, enfim, legitimar uma segregação baseada no nada”. Disso se inferiria que uma “prova” é uma “centelha” e que o que se faz numa investigação é uma “caçada”.
Para agravar, a defesa de Marcelo O. afirmou que o juiz é surdo.

Resumindo: o Juiz Sérgio Moro teria agido como nos tempos de Getúlio Vargas e dos governos militares.

Quem conhecer o Código Penal poderia estimar a quantos anos de cadeia Marcelo O. será condenado. Poderá até recorrer ao STF, como está fazendo Nestor Ceveró, mas é certo que sua defesa terá muito trabalho para tirá-lo da encrenca em que se meteu.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
28/07/2015

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