Não há crime perfeito

O advogado de Lula está certo, parcialmente. O esquema não surgiu espontaneamente. Lula nomeou os corruptos responsáveis pelo desvio de bilhões de reais. Não foi por acaso.

Esqueçam 2018. Vem ai uma enxurrada de delações. Léo Pinheiro e Marcelo sabem demais e não vão se sacrificar para salvar Lula.  

Não se trata, apenas, do triplex e do armazenamento de bens seus. Os da União foram furtados. E o resto? E as palestras fajutas, pagas por empreiteira e não pelos contratantes, como é de praxe?

Como no caso de Nixon, em algum lugar há um “smoking gun”, um documento, uma mensagem, uma anotação, que irá comprovar a participação, direta, de Lula, nesse escândalo. Não há crime perfeito.

Há uma semelhança com uma rede montada por um bicheiro. Ou com a rede montada por Al Capone, na fabricação e distribuição de bebidas alcoólicas, enquanto prevaleceu a Lei Seca nos Estados Unidos. Foi condenado por sonegação de pagamento de imposto de renda. Essas redes são montadas deliberadamente.

Afirmam os acusadores: “Lula comandou a formação de um esquema delituoso de desvio de recursos públicos destinados a enriquecer ilicitamente, bem como, visando à perpetuação criminosa no poder, comprar apoio parlamentar e financiar caras campanhas eleitorais”.

Será preso, como preso foi Vaccari e Duque, já condenados sem terem falado uma única palavra. Duque, a 20 anos.

A Lula só resta uma opção: uma elaboradíssima delação premiada, ou morrerá na prisão.

Ernesto Lindgren
Cidade ONLINE
14/09/2016

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