Não. Eles não são idiotas Sr. Alair Corrêa, prefeito de Cabo Frio

Nem tão pouco moleques, mas sim, os membros do Sindicato dos Profissionais da Educação da Região dos Lagos (SEPE Lagos) querem fazer política, uma vez que “fazer política” envolve diálogo. Diálogo com o qual o Senhor não está habituado. E, quem não está acostumado com alguma coisa, estranha.

Era o que o Senhor deveria ter dito na sua entrevista na rádio Litoral FM na manhã de 13/11/2015. Algo como, “Que coisa estranha. Os professores da rede municipal estão protestando porque o pagamento de seus salários está atrasado. Quando entrei na política há 45 anos, não era assim. O que aconteceu?”.

45 anos atrás significa que o Senhor foi infectado pelos hábitos, usos e costumes dos governos militares. O ano era 1970 é era proibido fazer greve. Lembra disso, prefeito Alair Corrêa?

O Brasil mudou, Senhor prefeito. E com ele, Cabo Frio, mas o Senhor se habituou e vem atuando, politicamente, como naquela época, a época do “quem manda aqui sou eu”. Não mais é assim.

É óbvio que ninguém imagina que Senhor seja maluco, tão maluco a ponto de não pagar os salários porque um dia acordou e disse, “Nos próximos dois meses não vou pagar os salários dos professores”. Era assim que a política no Brasil funcionava, na época em que o Senhor foi infeccionado com as idiotices dos governos militares. Um “Faz De Conta Que Sou Presidente da República” acordava de mau humor e anunciava, “Saibam todos que decidi construir uma estrada no meio da floresta Amazônica. O decreto-lei será publicado amanhã. Cumpra-se”. Era um general que se usasse túnica apareceria com a dita coberta de medalhas e, pendurada na bainha, uma placa com os dizeres “Continua na próxima túnica”. Não consultava ninguém.

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O Senhor, prefeito Alair Corrêa, agia da mesma maneira. Ou por acaso se esqueceu que a ninguém consultou quando decidiu canalizar os valões que prefeitos, digamos, “menos esclarecidos do que o Senhor”, mas sábios, como sábio é o matuto desengonçado que consegue descobrir o rastro de cobra no serrado nordestino, perceberam que os valões iriam funcionar como fossas a céu aberto capazes de absorver o esgoto in natura despejado das casas via tubulações. E aquelas fossas, durante décadas, desempenharam a função que lhes foi atribuída até que, “BOOM!”, o Senhor decidiu e exigiu – perceba o verbo aqui usado -, exigiu que os valões fossem canalizados, exigiu que nas ruas fosse instalada a rede de coleta de águas pluviais, permitiu que as tubulações que saiam das casas fossem ligadas à rede e cobriu tudo com asfalto, não dando à Prolagos a oportunidade de instalar a rede independente para a coleta daquele esgoto. Lembra-se disso, prefeito? É claro que se lembra, mas a questão é que o Senhor “racionava segundo o regime autoritário”, com a visão de que sabia de tudo e de que as coisas iriam acontecer de acordo com o seu entendimento de como o Brasil, e Cabo Frio, deveriam ser governados. Com “mão de ferro”. Como um “porta-bandeira”, como costumava repetir em suas campanhas para eleição para prefeito. O Senhor, prefeito, tem dificuldade em entender que foi eleito para “servir o povo”, o povo que paga o seu salário. Quando comprar e comer uma banana, lembre-se que pagou com dinheiro do povo. Entre eles, os professores associados ao SEPE. Pergunta-se: o Senhor comeria uma banana paga com dinheiro de idiotas? Percebeu o seu conflito interno, pessoal?

É um óbvio ululante que o Senhor não pagou os funcionários porque a prefeitura não tem dinheiro. Tão óbvio quanto não poderem os professores pagarem suas contas, seus aluguéis ou prestações, porque não têm dinheiro. E porque não têm dinheiro? Porque a prefeitura não pagou seus salários.

Como as coisas, hoje em dia, não são como eram até 1989, o Senhor há de concordar que não pode governar sozinho. Que terá que negociar com a população, com os vereadores que a representam. Com sindicatos como o SEPE. Como se recusou a fazer isso, veio a reação.

Percebeu o que acontece, prefeito Alair Corrêa? Se não percebeu, convide os representantes do SEPE que, com absoluta certeza, ficarão felizes em aceitar o convite, incluindo-o num ambiente que, para o Senhor, talvez seja um pouco difícil de entender: a arte de fazer política, fundamental na arte de governar. Esforce-se. Vai ficar tudo bem. Deixe as coisas nas mãos do povo, que é sábio. Ou ficará falando sozinho, ou ofendendo os professores que educam os filhos de cidadãos de Cabo Frio.

Finalmente, uma pergunta: se o seu salário não fosse depositado, mensalmente, na sua cona bancária, o Senhor iria até uma rádio e declararia ser um idiota, um moleque? Sua resposta, obviamente, será não. Portanto, quem lhe concedeu o direito de chamar os membros do SEPE de idiotas, moleques?

Afinal, prefeito Alair Corrêa, de quem o Senhor pensa que falou?

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
13/11/2015

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