Moradores das Palmeiras rejeitam shopping

Moradores se reunem para discutir implantação de shopping no bairro

(19 de Fevereiro de 2011)

Partido Verde reune moradores das Palmeiras para discutir construção do shopping

Os moradores do bairro das Palmeiras atenderam a convocação feita pelo Partido Verde para discutir a implantação do Shopping Park Lagos e se reuniram no Quiosque do Pelé, na Praia das Palmeiras, na tarde de sexta-feira (18).

Sessenta e quatro pessoas assinaram a lista de presença, que contou também com a participação do deputado estadual Janio Mendes (PDT), do vereador Fernando do Comilão (PSDB), do presidente do PSOL, Cláudio Leitão, e de um representante da Comissão de Direitos Ambientais e Ecológicos da 20ª Subseção da OAB/RJ.

Juarez Lopes, presidente do PV, fez uma rápida apresentação do empreendimento, “que tem 100 mil metros quadrados de área, com ocupação de 35% e 1.200 vagas de garagem”, explanou . Informou, também, que o processo de licenciamento deu entrada na prefeitura em março de 2010, conseguindo uma aprovação prévia devendo, agora, ser analisado pelos Conselhos de Meio Ambiente e Plano Diretor para emissão de parecer técnico. Os Conselhos têm reunião agendada para o dia 22 de Fevereiro.

Segundo Juarez , “o principal impacto é o volume de trânsito. Eles estabeleceram três rotas prioritárias para chegar no shopping. Pela Henrique Terra, pela Av América Central e do centro. Esse é o grande nó do questão. Nos dados apresentados esqueceram de observar que as ruas estudadas terminam em gargalos. Na Rua Henrique Terra, por exemplo, a vazão foi estimada em 1.400 carros, só que a rua não tem saída para esse volume, por nenhum lugar. Como vai ser quando esse volume de carros chegar na Rua Samuel Angeniski?”, observou.

Direito de saber

O presidente da Uni-Amacaf, Benedicto Ribeiro das Neves, o Bené do Village, explicou a razão que o levou a entrar com representações nos Ministérios Públicos Estadual e Federal contra o empreendimento. “A prefeitura, a João Fortes, ou quem que seja, não chega para os moradores e diz: olha, nós queremos fazer isto aqui. Então, nós fomos procurar através da Justiça o nosso direito de saber o que está acontecendo no nosso bairro”.

Bené lamentou os incêndios criminosos que tem acontecido na área e informou ter dado entrada em mais duas represetações junto ao MPs, dando ciência do ocorrido e solicitando a ajuda do Grupo de Apoio Técnico do MP (GATE), para execução de uma perícia técnica no local.

carla queimadasCarla Fauzi testemunhou os incêndios

Carla Fauzi, proprietária do quiosque mais próximo à área , disse que o último incêndio foi de grandes proporções e, apesar do empreendedor manter no local um contêiner com guardas 24 horas, ninguém chamou os bombeiros: ” Nós é que tivemos que chamar o Corpo de Bombeiros, porque no quiosque a gente não podia mais respirar de tanta fumaça. Fechou a rua, foi incêndio mesmo, um fogaréu, só apagou depois que os bombeiros chegaram”, conta, acrescentando “ninguém viu quem foi que botou o fogo”.

Bené entregou ao presidente do PV, Juarez Lopes, ao Deputado Janio Mendes e ao Vereador Fernando do Comilão, um documento onde a Uni-Amacaf pede providências contra o abandono da área e solicta a sua despropriação para que seja transformada em área de interesse público, com espaços de lazer, esporte e cultura, para uso dos bairros adjacentes. No documento a União de Associações prontifica-se a apresentar projeto para a área e se compromete também em buscar os recursos para sua implantação.

Zona Residencial

Outra preocupação dos moradores diz respeito à lei de zoneamento da cidade. A arquiteta e moradora do bairro, Maryane Medeiros afirmou que, “a prefeitura liberou o licenciamento à revelia da lei. A Lei 116, que está em vigor, diz que aquela área é ZR3, que é compatível sim com comércio, mas um comércio pequeno, de bairro, que dê atendimento básico aos moradores, como padarias, açougues, etc. Essa categoria de comércio não é permitida na legislação atual e sequer está prevista na nova legislação que está sendo construída pelo município, que também não permite esse tipo de comércio nesta área”, explicou Maryane.

A arquiteta disse ter tido acesso ao licenciamneto do Inea e informou que o órgão recomendou que a vejetação local deve que ser investigada. “Então, não é a toa que hoje ela começa a ser quiemada”, conclui Maryane.

O deputado Janio Mendes, escolhido presidente da Comissão de Assuntos Municipais e Regionais da Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), compareceu à reunião e colocou seu mandato à disposição dos moradores. “No mandato de deputado a gente tem um instrumento interessante que é a questão da audiência publica. Podemos chamar todos os setores envolvidos no licenciamento e requisitar todos os documentos para análise e apresentação em audiência”, afirmou o deputado, e acrescentou: “Na terça (dia 22) já podemos desencadear a convocação dessa audiência pública”, disse finalizando.

Redação

19 de Fevereiro de 2011

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